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3 Estratégias para Investir em Criptomoedas: Trading, Hodling e Mining

Os criptoativos podem ser um interessante investimento para fazer crescer o património e diversificar um portefólio de investimento. Porém, antes de começar, é importante saber como investir em criptomoedas.

Trata-se de um conjunto de ativos entre os quais se verificam as maiores valorizações da última década, como é o caso da Bitcoin que, em números “redondos”, valorizou mais de 10 000 vezes o seu valor inicial. Sem nunca esquecer que se trata de um investimento com um risco associado, a natureza deste mercado atraiu desde os investidores mais “techy” orientados para o lado tecnológico das criptomoedas, aos fundamentalistas que reconhecem valor nos seus princípios, até aqueles investidores mais orientados para uma negociação mais ativa de compra e venda destes produtos.

Mas, como começar a investir?

Neste artigo iremos explorar a três principais estratégias para investir em criptomoedas:

  • Trading: focado na análise técnica, com possibilidade de maior retorno mas maior risco associado;
  • Hodling: baseado na análise fundamental de cada projeto, pensando a médio-longo prazo;
  • Mining: para aqueles com maior conhecimento em tecnologia;
INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS

Trading

O trading é, basicamente, a atividade de negociar nos mercados de criptomoedas mantendo posições por períodos relativamente curtos de tempo.

Tem a vantagem de poder aproveitar a volatilidade dos mercados, que é uma característica deste em específico. Em contrapartida compreende um maior risco.

Para ter sucesso é necessário combinar análise técnica de gráficos, com uma boa estratégia de gestão de risco do capital.

A ideia de ficar em casa trabalhando apenas uma ou duas horas por dia, ou aquela adrenalina que se vê nos filmes sobre trading, pode estar algo desfasada da realidade. É necessário ter em conta que esta atividade envolve muito estudo técnico, nomeadamente de gráficos e indicadores.

Assim o trader deverá estar familiarizado com conceitos como gráficos de velas, volume, médias móveis, linhas de tendência, RSI, MacD ou retração de Fibonacci. Isto possibilitará a procura de pontos de entrada e de saída das negociações.

Para além disto, deverá desenvolver uma estratégia própria na gestão do risco a que expõe o seu capital e a frequência com que realiza as operações (day trading, swing trading, etc.). Para alguns a análise técnica é uma ciência, para outros uma arte. Contudo é sobretudo na estratégia que certamente um bom trader se irá destacar.

Como lucrar com o trading de criptomoedas?

O mercado das criptomoedas tem a vantagem de sofrer de uma grande volatilidade. Em poucos dias, o valor de uma determinada criptomoeda pode variar 10%, 20% ou 30%, ou às vezes até em poucas horas.

É nessa diferença entre o valor de entrada (compra) e o valor de saída (venda) que o trader vai procurar lucrar. Quer isto dizer que o objetivo do trader passa por comprar a criptomoeda a um determinado valor e conseguir vendê-la a um preço superior, obtendo lucro na diferença de preços. Porém, o trader também poderá lucrar caso a criptomoeda desça de valor, como veremos entretanto.

BTC Trading | 3 Estratégias para Investir em Criptomoedas: Trading, Hodling e Mining

Na imagem acima pode-se constatar que em poucos dias a Bitcoin sofre oscilações que muitas vezes superam os 15%, quer a tendência seja bullish (ascendente) ou bearish (descendente).

É possível aproveitar esta volatilidade nos dois sentidos, não apenas na tendência ascendente. Ou seja, é possível lucrar com a descida do valor de um ativo. É o que se chama de short selling ou shorting.

Isto é possível através de algumas plataformas que permitam este tipo de operação, como é o caso da Binance ou da Bybit. No caso da corretora portuguesa XTB é possível a negociação de produtos financeiros derivados do próprio ativo, como é o caso dos CFD ou Contracts for Difference.

  • Alavancagem em Criptomoedas

Não só é possível negociar numa tendência bullish ou bearish, como também é possível combinar com a utilização de alavancagem. Ou seja, negociar sobre um valor superior ao que se possui na conta da corretora, potencializando assim os ganhos. É como se fosse um “empréstimo” da corretora para realizar uma determinada operação de trading. No entanto, é de assinalar que este tipo de negociação assume um risco de perda acrescido, em que mais de 77% dos utilizadores perdem dinheiro.

A atividade de trading não deve ser tratada como um casino, em que se “aposta” na subida ou descida de um ativo. Ou seja, o sucesso no trading assenta no conhecimento, experiência, estratégia e psicologia daqueles que negoceiam arriscando o seu capital.

INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS

Hodling

Uma abordagem diferente, e muito comum na gíria do investimento em criptomoedas é chamada de Hodling. O termo surgiu no Bitcoin Forum em 2013 quando um utilizador incorretamente escreveu “I AM HODLING”. A palavra deriva do termo inglês Hold (manter ou segurar) e refere-se àqueles investidores que mantêm as suas posições numa determinada criptomoeda, independentemente das oscilações no valor da mesma.

Investir em criptomoedas: Hodling

O que é, na prática, o hodling?

Consiste basicamente num investimento baseado na análise fundamentalista de uma criptomoeda, que prevê a sua valorização a longo prazo.

Análise fundamentalista: análise de um projeto ou criptomoeda em função das suas propostas de inovação, da sua aplicabilidade ao mundo real, das soluções que propõe, do seu desenvolvimento ao longo do tempo, da equipa técnica e da sua liderança.

E, se formos analisar a oscilação de preços das criptomoedas, facilmente veremos que estas são o investimento com a maior valorização da última década, multiplicando dezenas de vezes o seu valor inicial.

CriptomoedaPosição no
CoinmarketCap
ROI
(return on investment)
Bitcoin (BTC)17108,35%
Ether (ETH)27441,04%
Ripple (XRP)33387,71%
Litecoin (LTC) 7917,84%
DASH20> 35000%
ROI de principais criptomoedas segundo o CoinMarketCap, maio de 2020

É de salientar que os valores indicados correspondem ao valor inicial negociado em mercado. No caso da Bitcoin, que registou um valor em 2010 inferior a 0,008 dólares, pode calcular-se uma valorização superior a 10 000 vezes.

Inquestionavelmente, são valores impressionantes os que se apresentam na tabela acima. Sobretudo quando comparados com a performance da melhor ação no mercado tradicional, a Netflix, que registou uma valorização superior a 4000%. Sendo um resultado surpreendente, fica àquem dos top performers dos investimentos em criptomoedas.

Como investir em criptomoedas segundo a estratégia de Hodling?

Já se falou que o crescimento desde o valor inicial foi muito significativo. Para aqueles investidores que conseguiram antever as potencialidades de projetos com elevada rentabilidade, as suas margens de lucro são muito altas.

Mas, e para aqueles que não investiram na fase inicial?

Aqui a solução poderá passar pela estratégia de dollar cost averaging.

Dollar Cost Average (DCA) consiste fundamentalmente na compra recorrente de criptomoeda, com uma frequência semanal ou mensal, ao longo do tempo, investindo o mesmo valor.

Ao contrário do trading em que se procura encontrar os melhores momentos para entrar (e sair) do mercado, com a estratégia de DCA procura-se um investimento consistente, baseado na análise fundamental dos projetos que o investidor considerar mais promissores no futuro.

Tomando a Bitcoin como exemplo, nesta calculadora é possível avaliar a eficiência desta estratégia. Assim, conclui-se que mesmo que o processo de investir em criptomoedas se inicia no pico de 2018, ao qual se seguiu uma tendência descendente de cerca de um ano, o investidor teria hoje um lucro de cerca de 40%. No entanto, se tivesse investido o total de capital nesse primeiro dia de 2018, teria um prejuízo de cerca de 30%.

Esta estratégia procura minimizar em parte, o risco, e a incerteza do investidor sobre qual a melhor altura para entrar no mercado. Assim, o foco está sobre a consistência com que se investem pequenas quantias ao longo de um determinado período.

Já faço Hodling, como posso potenciar os meu ganhos?

É possível, combinar com a estratégia de hodling, investimentos que criem uma rentabilidade adicional aos ativos adquiridos. Com o desenvolvimento da DeFi – Decentralized Finance – e também de outros produtos de investimento mais centralizados, é possível depositar as criptomoedas em produtos semelhantes a “contas a prazo” com taxas de juro que variam entre 0,1% e 14%, dependendo da criptomoeda e do serviço.

Outra forma de rentabilizar os investimentos em criptomoedas no longo prazo é através de staking, no caso dos projetos que o permitam. O investidor, ao participar na verificação das transações, quer diretamente, quer pela participação numa pool, acabará por aumentar o número de criptomoedas que investiu inicialmente.

Neste caso, e tomando como exemplo a DASH, um masternode desta moeda pode render mais de 6% anualmente. Contudo, a criação de um masternode implicará conhecimento técnico e um investimento superior a 65000 euros. Participar numa pool pode ser uma alternativa. Mas, por sua vez, estas irão cobrar uma taxa sobre o rendimento.

INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS

Mining

Uma terceira estratégia para investir em criptomoedas é o mining: a mineração.

É necessário perceber de antemão que esta abordagem para o investimento em criptomoedas implica um investimento inicial avultado em equipamento e um grande consumo de energia no decorrer da operação. Por isto, a rentabilidade da mineração está muito mais dependente do custo da energia elétrica.

Relativamente ao processo de mining três fatores a considerar são:

  • Conhecimento técnico para configurar e gerir o hardware;
  • Investimento inicial no equipamento;
  • Custo da energia eléctrica.

Relativamente ao equipamento, podemos estar a falar de GPU, as chamadas placas gráficas, ou de ASIC (application-specific integrated circuit).

Mining: ASICS vs GPU

O custo de uma GPU pode variar entre os 180 euros e os 1300, podendo superar até este valor. Já as ASIC podem variar entre umas dezenas de euros, em segunda mão, até 3000 euros. Contudo é de ter em conta que um valor inferior pode implicar uma menor performance e menor eficiência no consumo energético.

Como lucrar com mining de criptomoedas?

Para obter lucro através desta estratégia, é necessário perceber um bocadinho melhor como funciona a mineração de criptomoedas.

De forma resumida, é com base no mining que são verificadas e aprovadas as transações de criptomoedas que se baseiam no mecanismo de consenso de Proof of Work. Os nodes ligados à rede da Blockchain usam o seu poder computacional para resolverem problemas algorítmicos. Por cada bloco de transações aprovado, um dos nodes recebe uma uma recompensa, isto é, uma determinada quantidade da criptomoeda da rede em causa.

No entanto, o poder computacional necessário, o consumo de energia elétrica e a dificuldade do problema algorítmico aumentam consoante o acréscimo de equipamentos ligados à rede. Isto significa que minerar Bitcoin em 2010 era completamente diferente de minerar hoje em dia. Mais ainda com o Halving que aconteceu no ínicio do mês de maio.

E é ainda necessário ter em conta que o valor do kWh em Portugal não é dos mais competitivos para este tipo de operações.

Poderá fazer aqui a sua simulação. Trata-se de uma calculadora muito útil que permite introduzir todas estas variáveis para estimar a possível rentabilidade.

Contudo a primeira conclusão mais imediata é que o processo de mineração torna-se mais rentável naqueles projetos menos conhecidos, em que há menor competição entre os mineradores. Mas são também projetos que, por isso mesmo, podem indicar maior risco no médio ou longo prazo.

Qual a melhor estratégia para investir em criptomoedas?

Não se pode dizer que exista uma estratégia ideal para investir em criptomoedas. Assim, a abordagem dependerá do perfil de cada investidor.

É necessário ponderar os prós e contras de cada uma das abordagens, os requisitos, o potencial de rentabilidade e o risco associado. No entanto, também não se pode esquecer que todo o investimento tem um nível de risco associado, muitas vezes em função do seu retorno.

Em suma:
1. Trading, orientado para a negociação de ativos, focado na análise técnica, com possibilidade de uma maior rentabilidade mas com maior risco associado; Potencial de retorno mais imediato.
2. Hodling, mais focado na análise fundamental dos projetos que indiquem maior valorização no médio-longo prazo. Maior duração do periodo de investimento.
3. Mining, caraterístico dos investidores mais orientados para a tecnologia, que implica investimento em hardware, custos de manutenção e com energia, permitindo uma forma de rendimento mais passivo.

Cabe ao investidor decidir qual a estratégia que melhor se adequa ao seu perfil. Sendo o investimento em criptomoedas uma das formas mais aliciantes de ingressar no mundo dos investimentos, ou um instrumento interessante na diversificação de um portfólio pré-existente.

INVESTIR EM CRIPTOMOEDAS
Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Estudante de Engenharia Informática no Instituto Politécnico de Viana do Castelo e licenciado em Antropologia pela Universidade de Coimbra em 2012, de onde herdou a curiosidade pela escrita e o hábito de desconstruir crenças e práticas culturais e sociais.
Foi introduzido ao universo das criptomoedas em 2017 ao qual ficou imediatamente rendido. Foi ainda tradutor no projeto DaVinci/Utopian na plataforma Steem até 2019.

Citação:
"A desmistificação das criptomoedas é acima de tudo um meio para a educação financeira, questionando as próprias convenções sobre a natureza do dinheiro."

Sobre o Autor:
Produtora de Conteúdos - Jornal da Moeda

Começou o seu percurso como atleta de alta competição. Em 2015 foi eleita vereadora no projeto "Jovem Autarca" de Santa Maria da Feira e desde então que se mantém presente nas iniciativas municipais.

Atualmente exerce como Auditora Interna no Banco BAI.

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