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Aumento de capital EDP

A EDP espera conseguir encaixar 1020 milhões de euros, de forma a poder financiar parcialmente a compra da espanhola Viesgo à australiana Macquarie. 

O que é o aumento de capital?

Todas as empresas têm uma estrutura de capital que se divide entre capitais próprios e capitais alheios.

Um aumento de Capital pode ser feito através de subscrição de acções ou por incorporação de reservas.

Se a empresa optar por incorporação de reservas terá de dispor de resultados líquidos positivos anteriores (valores que tem em reserva) para os colocar em capitais próprios.

Através do aumento de Capital por subscrição de acções, a empresa emite novas acções para todos os que queiram tornar-se accionistas da empresa. Uma vez que esta operação faz com que o valor nominal de cada acção diminua, a operação de aumento de Capital por subscrição de acções é reservada em primeiro lugar aos accionistas existentes e só depois a novos accionistas.

A proporção da titularidade do capital social e dos direitos de voto na EDP dos acionistas que não exerçam os seus direitos de subscrição será diluída com a emissão das novas ações.

Aumento de capital EDP: Informações Gerais

A EDP pretende financiar a compra da elétrica espanhola Viesgo, empresa avaliada em 2,7 mil milhões de euros, valor que inclui 1,1 mil milhões de dívida que será absorvida pela EDP. Esta operação vai ser realizada em 3 fases:

1º: Aquisição da rede de distribuição de eletricidade da Viesgo – localizada nas Asturias e na Galiza – em parceria com a Macquarie Infrastructure and Real Assets (MIRA). A Viesgo Distribution vai passar a ser detida em 75% pela EDP e em 25% pela MIRA.

: EDP Renováveis absorve 100% renováveis Viesgo, avaliada em 565 milhões de euros (24 centrais eólicas e duas centrais mini-hídricas na península Ibérica).

: Aquisição de 100% das centrais a carvão da Viesgo na Andaluzia.

Viesgo Company
Viesgo

Direito de subscrição ao aumento de capital EDP

Direito de Subscrição:
Quando uma empresa resolve aumentar o seu capital social e emitir novas ações, esta dá aos seus acionistas a preferência na compra. Isto é o que chamamos de subscrição. 

O direito de subscrição termina no dia 6 de Agosto. O valor de cada direito fechou a sessão da passada sexta-feira a valer 8,62 cêntimos, com um prémio de 2,91% face às ações.

Cada acionista recebeu estes direitos, que lhe permitem adquirir as novas ações que a EDP vai emitir a 3,30 euros cada (especificamente 11,75 direitos por conseguir um novo título). Em alternativa, pode vender os direitos em bolsa. Há 3,6 mil milhões destes títulos para transacionar e, no total, a elétrica vai aumentar o capital em 1.020 milhões de euros, em parte para financiar a compra da empresa espanhola Viesgo.

Todos os acionistas que não subscreverem, vão ficar com a posição diluída, conforme estabelece o prospeto da operação.

Prós e contras no aumento de capital EDP

A expansão da EDP deverá levar os seus investidores a reforçarem posições na elétrica. Um ponto a favor é a operação de compra da Viesgo mas existem vários riscos identificados pela própria empresa.

No prospeto, a EDP enumera vários potenciais riscos a esta operação e para a empresa, para além disso, atravessámos tempos especialmente difíceis para as empresas com o COVID-19, relembramos, por exemplo, a prestação histórica de Março do PSI20.

  • Sobre o processo judicial dos contratos CMEC que envolve o presidente executivo suspenso de funções, António Mexia, e o presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, a companhia aponta que “não é possível prever qualquer resultado nesta fase do processo. Qualquer desenvolvimento deste tipo poderia ter um efeito material adverso na reputação da EDP, na sua situação comercial, financeira e/ou nos resultados das operações”.
  • Em relação ao processo judicial pela contratação do pai do ex-secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, a EDP admite que o caso “poderá ter um efeito material adverso na reputação da EDP, na sua situação comercial, financeira, e/ou nos resultados das operações”.
  • A elétrica também que o “preço de venda e o lucro bruto por unidade de energia vendida pela EDP podem diminuir significativamente devido a uma deterioração das condições do mercado e/ou exposição ao mercado local de certas centrais elétrica”;
  • Depois, alerta que as “condições climáticas adversas têm afetado e podem continuar a afetar a rentabilidade das centrais hidroelétricas, eólicas e solares da EDP”;
  • “Alterações na procura de energia nos países em que a EDP opera podem afetar materialmente de forma negativa os seus resultados de operações e condição financeira”;
  • Outro dos riscos enumerados pela EDP é que os seus negócios “requerem investimentos iniciais elevados com base em previsões e estimativas de retornos futuros que podem não se concretizar”.

“Um investimento em ações, incluindo nas ações e/ou subscrição de direitos, envolve um elevado nível de riscos. Potenciais investidores devem considerar cuidadosamente toda a informação no prospeto e documentos anexos, incluindo os fatores de risco, antes de decidir investir em novas ações

Prospeto da operação da EDP

Após o fim da negociação dos direitos, o prazo de subscrição das novas ações termina a 6 de agosto, com os resultados da operação a serem revelados no dia seguinte.

As 309.143.297 novas ações serão depois admitidas à negociação na Euronext Lisboa, juntando-se aos mais de 3,6 mil milhões de títulos atualmente cotados na bolsa nacional no dia 17 de agosto.

E se a totalidade das ações não forem compradas?

A EDP também fechou um contrato com um sindicato bancário (underwriters) para assegurar que o sucesso da operação e que todas as operações são subscritas.

“Caso as novas ações não sejam totalmente subscritas no âmbito da emissão de direitos, poderão ser subscritas por Investidores Qualificados ou pelos Underwriters

Segundo o prospeto: BCP (20%);  J.P. Morgan Securities (20%); Morgan Stanley & Co. International (20%); BNP Paribas (13,33%); BofA Securities Europe SA (13,33%); Goldman Sachs International (13,33%).

A EDP anunciou que não vai cobrar qualquer custo aos investidores, avançando que as despesas com a operação, as comissões pagas ao sindicato bancário atingem os 23 milhões de euros.

China Three Gorges - Aumento de capital EDP
China Three Gorges

Datas e prazos do aumento de capital EDP

20 de julho – “Data de registo” – último dia de negociação das acções da Emitente na Euronext Lisbon com os inerentes direitos de subscrição.

23 de julho – Primeiro dia do período de subscrição das novas ações

23 de julho – Primeiro dia do período de negociação dos Direitos de Subscrição na Euronext Lisbon

3 de agosto – Último dia de negociação dos Direitos de Subscrição na Euronext Lisbon

Entre 23 de julho e 6 de agosto pelas 16h00 – Envio pelos intermediários financeiros à Interbolsa das ordens recebidas no âmbito da Emissão de Direitos

5 de agosto pelas 15h01 – Data a partir da qual as ordens de subscrição de Novas Acções se tornam irrevogáveis (inclusive)

6 de agosto – Último dia do período de subscrição das Novas Acções

7 de agosto – Anúncio dos resultados da Oferta

7 de agosto – Liquidação financeira das Novas Acções subscritas mediante o exercício de Direitos de Subscrição

11 de agosto – Liquidação financeira das Novas Acções atribuídas na fase de rateio e no âmbito do Contrato de Underwriting

11 de agosto – Registo do aumento do capital social na conservatória do registo comercial

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