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BCE reforça PEPP – programa de emergência à pandemia, com 600€ biliões

BCE reforça PEPP: o que esperar? Até onde vai esta impressão de moeda? Teremos uma resposta eficiente para a recessão económica provocada pela pandemia?

No passado dia 4 de junho, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou um aumento de 600 mil milhões de euros destinado ao Pandemic Emergency Purchase Programme – PEPP. Os juros da dívida pública caem a pique. A taxa de inflação encontra-se com tendência decrescente.

O que é o PEPP?

O Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP), iniciado em março de 2020 pelo Banco Central Europeu, é uma política monetária extraordinária implementada como resposta ao Covid-19. Consiste num plano temporário de compra de títulos públicos e privados.

Inicialmente, o envelope financeiro era de 750 mil milhões de euros e com um horizonte de aplicação até final de 2020.

Reforço do PEPP em
600 mil milhões de euros

No entanto, o fundo que já muito tinha dado que falar veio agora sofrer novas alterações. Na passada quinta-feira, Christine Lagarde anunciou não só o reforço orçamental de 600 mil milhões de euros como também alargou os prazos até, no mínimo, junho de 2021.

Com este aumento, estamos perante um envelope total de 1350 mil milhões de euros destinados ao PEPP, direcionados para a compra de ativos. Em geral, os juros da dívida pública caíram a pique.

A presidente do Banco Central Europeu fez ainda questão de evidenciar que a zona euro está a enfrentar uma recessão sem precedentes. As novas previsões do BCE apontam agora para uma contração do PIB da zona euro de 8,7% este ano, acompanhada de uma recuperação de 5,2% em 2021 e 3,3% em 2022. Este cenário mostra-se agora menos animador do que os dados apresentados anteriormente no Economic Spring Forecast.

O impacto do coronavírus tem vindo a acentuar-se e as previsões mostram-se pouco agradáveis. A taxa de desemprego da zona euro, a título de exemplo, registou o valor de 7,3% em abril, 0,2pp acima do mês anterior.

O que significa para Portugal?

“Este reforço financeiro em 80% do programa iniciado a 26 de março vai significar um salto no volume de compra de dívida portuguesa de €13 mil milhões para mais de €23 mil milhões, no âmbito deste programa especial.”

Expresso, 04/06/2020

O aumento orçamental manteve-se bastante acima das expetativas dos analistas que agora prevêm o esgotamento do fundo logo no primeiro trimestre do próximo ano. Para esta previsão, baseiam-se no ritmo de compras mensais atual (acima de 100 mil milhões de euros).

No que respeita à inflação, a zona euro tem verificado taxas inferiores ao período pré-covid. Portugal chega até a verificar taxas negativas, ou seja, uma quebra generalizada no nível de preços, tal como podemos verificar no gráfico abaixo.

Em Portugal, numa primeira reação, os juros da dívida pública caíram acentuadamente. No prazo a 10 anos, a taxa das obrigações desceu de 0,6% para 0,5%.

BCE reforça PEPP: medida controversa

As medidas adotadas pelo Banco Central Europeu foram fortes e bastante determinantes. Contudo, alguns analistas mostram-se preocupados.

“O programa levanta um grande número de questões. Será que continua a ser um programa temporário? Será isto compatível com a definição de financiamento monetário da European Court of Justice?”

Keber, Fonte: The New York Times

Keber não é o único cético para com esta decisão do Banco Central Europeu.

Embora com um cenário não muito animador, Christine Lagarde faz questão de citar que o pior momento poderá já ter passado. O desconfinamento a que agora assistimos talvez comprove estas suspeitas. Existe, no entanto, uma ressalva para as incertezas inerentes ao futuro avanço da pandemia.

De qualquer forma, algumas questões ficam no ar: estaremos a desvalorizar a moeda com esta impressão de dinheiro? Poderá a credibilidade das instituições financeiras sair abalada?

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Sobre o Autor:
Produtora de Conteúdos - Jornal da Moeda

Começou o seu percurso como atleta de alta competição. Em 2015 foi eleita vereadora no projeto "Jovem Autarca" de Santa Maria da Feira e desde então que se mantém presente nas iniciativas municipais.

Atualmente exerce como Auditora Interna no Banco BAI.

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