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Bitcoin Halving 2020: o que é e quais as consequências?

Muito se tem ouvido falar ultimamente sobre o Bitcoin halving (também referido como halvening) e das consequências potencialmente positivas que este evento pode trazer para a valorização deste ativo.

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Mas sabe realmente do que se fala quando se fala em “Bitcoin halving“?

Para se compreender melhor o que acontece no halving e a sua importância é necessário perceber o que é a Bitcoin e como funciona a sua mineração.

Se ainda é iniciante, sugerimos a leitura do artigo “Bitcoin: será esta a moeda do futuro?“, de forma a perceber alguns conceitos base desta criptomoeda.

Introdução à Bitcoin

De forma muito simplista, quando se fala de Bitcoin, podemos estar a falar da rede descentralizada que permite as transações peer-2-peer, ou do token (moeda, para simplificar) que é transacionada nessa mesma rede.

Ao contrário do caso da rede Ethereum que denominou a sua moeda de Ether, no caso da Bitcoin, a rede e a moeda recebem o mesmo nome, apesar de não serem a mesma coisa.

A Bitcoin enquanto conceito, foi apresentada gradualmente na segunda metade de 2008, nomeadamente com o registo do domínio “bitcoin.org” em 18 de Agosto desse ano, e um link para um artigo com a explicação teórica do conceito foi difundido a 31 de Outubro.

Contudo, a rede Bitcoin nasceu nos primeiros dias do ano seguinte, a 3 de janeiro de 2009, quando foi minerado o primeiro bloco, chamado de Genesis Block, pelo(s) mítico(s) criador(es) do projeto: Satoshi Nakamoto.

O que é a mineração e o que são blocos?

O processo de mineração, ou mining, de Bitcoins permite que as transações sejam executadas, verificadas, registadas e mantidas inalteradas numa base de dados digital.

Esta base de dados dá pelo nome de Blockchain. A tecnologia em causa vai criando novas Bitcoins no processo que servem, em primeiro lugar, como recompensa para os mineradores responsáveis por manter a rede.

De forma muito simplista, a rede Bitcoin (ou Blockchain) é assegurada por nodes.

Estes nodes correspondem, na atualidade, a grandes infra-estruturas, geralmente armazéns repletos de hardware que possuem enorme poder computacional e executam o software de mineração da Bitcoin. Isto implica custos com aquisição e manutenção do hardware para além de grandes quantidades de energia consumida.

Para verificar as transações, este hardware (ou nodes) temtam encontrar a solução a cálculos matemáticos definidos pelo código-fonte. Quando atingem um resultado válido, os nodes criam um bloco de informação onde são registadas as transações de Bitcoin. Este bloco está posteriormente sujeito a ser verificado pelos restantes nodes da rede. Só depois será um bloco válido.

Quando validados, estes novos blocos contêm informação, não só atual, mas em relação ao bloco antecedente, criando uma dependência entre os mesmos.

blockchain
Na prática, a blockchain é uma cadeia de blocos interligados que armazenam informação do próprio bloco e do bloco anterior.

A cada novo bloco de informação criado por um node, é atribuída uma recompensa em Bitcoin que varia em função do número de blocos total criados até ao momento.

Como funciona o sistema de recompensas?

No primeiro bloco, chamado “genesis block“, o node que o validou foi recompensado com 50 Bitcoins, assim como todas as validações de blocos que se seguiram até ao bloco número 209 999.

No código fonte da Bitcoin, definiu-se que a recompensa pela validação de um novo bloco seria reduzida para metade a cada 210 000 blocos.

Na prática, no 210 000º bloco a recompensa passou para 25 bitcoins. 210 000 blocos depois, para 12,5 bitcoins. E assim sucessivamente até que a recompensa se aproxime cada vez mais de 0 (e o número máximo de bitcoins de 21 000 000).

Estima-se que o máximo de bitcoins permitido pelo código seja atingido por volta do ano 2140.

Mas qual a razão da redução na recompensa?

A resposta é clara. A explicação nem tanto… A redução da recompensa pela criação de cada bloco está inscrita no código do Bitcoin. Assim decidiram o(s) criador(es).

Código-fonte da BTC: Secção dos subsídios por bloco
Código-fonte da BTC: Secção dos subsídios por bloco

A explicação é que os mineradores tenderão a vender grande parte das bitcoins resultantes do processo de mining pois tem que colmatar custos de manutenção de hardware e de energia consumida.

Como o número de novos bitcoins criados vai sendo reduzido para metade, o valor a que estes serão vendidos deve aumentar para fazer face aos custos da operação. Assim o valor tenderá a aumentar.

No fundo trata-se da lei da oferta e da procura na prática: se a procura se mantém e a oferta diminui então o valor deste ativo tende a aumentar. É isto que torna a Bitcoin numa moeda inflacionária, ou seja, o seu valor tende a subir ao longo do tempo.

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Ao contrário da moeda fiduciária (ex: Euro; Dólar), que podem ser impressos infinitamente, tendendo a diluir o valor de cada unidade. Para as Bitcoins o teto máximo é de 21 000 000 unidades, encontrando-se neste momento nas 18 211 862 bitcoins em circulação.

É isto que torna a Bitcoin tão especial do ponto de vista do investidor. À semelhança do ouro, é escassa e difícil de minerar, e sendo possível prever com relativa precisão o fluxo de Bitcoins que vão entrar em circulação a determinada data.

Bitcoin Halving 2020

Até à data ocorreram já 2 halvings de Bitcoin:

  • Um no dia 28 de novembro de 2012 no bloco 210 000,
  • Outro a 9 de julho de 2016 ao bloco 420 000.

Estima-se que o próximo ocorra por volta do dia 12 de maio de 2020 quando se atingir o bloco 630 000. Para acompanharem a contagem decrescente podem visitar este site.

Estima-se ainda, que este processo de redução das recompensas repetir-se-á até 2140, quando a totalidade dos 21 000 000 bitcoins for minerado.

O que esperar do próximo Bitcoin halving?

Tanto no caso do primeiro halving como no caso do segundo, após o evento registou-se uma valorização progressiva da Bitcoin até um pico máximo, seguindo-se depois um período de recessão. Contudo nessa recessão não se voltou ao valor do passado, anterior ao halving correspondente.

Mais precisamente, o primeiro halving ocorreu a 28 de novembro de 2012 e o pico de valorização de 9218% foi atingido 368 dias depois, ou crescendo dos 12,22 dólares até aos 1178 US$. Seguiu-se depois um período de recessão de 408 dias em que desvalorizou 86%, até aos 163,65 dólares.

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No caso do segundo halving, decorreram 525 dias até ao pico de 19 800 dólares, atingindo uma valorização de 2938%. Aí seguiu-se uma recessão de 365 dias em que o ativo desvalorizou em 84%.

Há três conclusões que se podem tirar, tendo em conta que o tamanho da amostra é muito reduzida:

  • A duração do período de crescimento pós-halving até ao pico de valorização aumentou;
  • A percentagem de crescimento diminuiu;
  • A duração do período de recessão também diminuiu;

Comprar ou Vender: O que devo fazer?

Com o próximo halving a acontecer por volta de maio de 2020, pode considerar-se o presente momento um período de acumulação pois, prevê-se que o custo será mais baixo do que o espectável após o halving.

Contudo, é importante relembrar que ninguém sabe ao certo a duração que estes períodos podem ter ou até de quanto poderá ser o crescimento.

Trata-se de um investimento de risco e, como todos os investimentos, a decisão deve ser ponderada com a maior informação possível.

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Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Estudante de Engenharia Informática no Instituto Politécnico de Viana do Castelo e licenciado em Antropologia pela Universidade de Coimbra em 2012, de onde herdou a curiosidade pela escrita e o hábito de desconstruir crenças e práticas culturais e sociais.
Foi introduzido ao universo das criptomoedas em 2017 ao qual ficou imediatamente rendido. Foi ainda tradutor no projeto DaVinci/Utopian na plataforma Steem até 2019.

Citação:
"A desmistificação das criptomoedas é acima de tudo um meio para a educação financeira, questionando as próprias convenções sobre a natureza do dinheiro."

Sobre o Autor:
Fundador - Jornal da Moeda

Alumni das Universidades Católica Porto e FEP. Com experiência nas indústrias de mercados financeiros, criptomoedas e marketing digital.

Fundador do Jornal da Moeda.

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