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Como surgiram e o que são criptomoedas?

Devido ao seu caráter embrionário, ainda não temos informação suficientemente sustentada e difundida sobre este novo conceito do dinheiro digital. E, inevitavelmente, coloca-se a seguinte questão: o que são criptomoedas?

Atendendo às características revolucionárias que apresentam, as criptomoedas são tema constante de debates que têm gerado grande discórdia. Tão facilmente encontrámos alguém a favor da generalização deste ativo como, por outro lado, vemos críticas que tentam deitar “pelo cano abaixo” aquela que parece ser uma das mais promissoras inovações dos últimos tempos.

Mas uma coisa é certa, estas unidades monetárias vieram abalar os padrões das instituições bancárias e destabilizar o paradigma do sistema financeiro instalado.

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O contexto global do aparecimento das criptomoedas

A primeira criptomoeda a prosperar foi a Bitcoin. Nasceu oficialmente em novembro de 2008, com a publicação do seu WhitePapper por Satoshi Nakamoto. No entanto, apenas começou a ser transacionada em 2009.

O que são criptomoedas: WhitePapper Bitcoin
WhitePapper da Bitcoin

E é importante contextualizarmos o momento em que esta criptomoeda aparece: a população mundial tem ainda na memória uma crise financeira bastante recente, que nos impactou precisamente na altura do nascimento da Bitcoin.

A credibilidade das entidades governamentais é cada vez menor devido aos escândalos constantes sobre os casos de fraude e corrupção. É então que, num mundo onde a ciência impera e onde a liberdade é um direito essencial, urge uma mudança no que diz respeito ao dinheiro.

Hoje estamos na era digital, onde a informação está apenas a um clique de distância e onde as redes sociais adquirem um alcance global. Começam, então, a vir à tona questões como a privacidade, a confiança, a transparência e a honestidade.

Com o artigo que se segue pretendemos explicar de forma acessível o que são criptomoedas.

Moedas digitais, moedas virtuais e criptomoedas

Estes três conceitos são, de facto, muito próximos. E, por esse motivo, facilmente se confundem. Contudo, existem algumas diferenças bastante ténues que os separam:

MOEDAS DIGITAIS:
Conceito mais abrangente que se traduz pela inexistência física da moeda. É quase um sinónimo de dinheiro eletrónico e pode apresentar ou não correspondência numa moeda governamental. Um exemplo de moeda digital é o saldo dos nossos depósitos bancários. Não se trata de dinheiro palpável, pois não estamos na posse de notas e moedas, mas detemos uma quantia que pode ser transacionada seja com recurso a um cartão ou através de uma página online da instituição competente.

MOEDAS VIRTUAIS:
Em, 2012, o Banco Central Europeu definiu moeda virtual como “type of unregulated, digital money, which is issued and usually controlled by its developers, and used and accepted among the members of a specific virtual community.” Isto é, dinheiro digital não regulado, que é controlado, normalmente, pelos seus criadores e aceite entre uma comunidade virtual específica. A moeda virtual é criada e armazenada eletronicamente, podendo ser enquadrada como uma subcategoria das moedas digitais. Contudo, nem todas elas são criptomoedas.

CRIPTOMOEDAS:
São moedas virtuais que recorrem à criptografia e, através desse método, garantem privacidade aos utilizadores, tornando-se extremamente difíceis de falsificar.

Então, o que são criptomoedas?

Podemos, de forma muito sucinta, enquadrar a criptomoeda como uma subcategoria das moedas virtuais e digitais. Isto é, como dinheiro digital que ainda não foi regulado e que é criado e armazenado de forma eletrónica, sendo aceite por uma comunidade específica de pessoas.

o que são criptomoedas categorias | Como surgiram e o que são criptomoedas?

É com recurso à criptografia que estes ativos operam, apresentando, na sua generalidade, elementos como a privacidade e a descentralização.

O que são criptomoedas:
Bitcoin e Altcoins

Hoje existem mais de 4000 criptomoedas, cada uma com as suas especificidades, e nem todas apresentam as mesmas características (há empresas que têm lançado a sua própria moeda, recorrendo à criptografia, mas que não possuem um caráter descentralizado).

bitcoin vs altcoins | Como surgiram e o que são criptomoedas?

No entanto, as propriedades referidas, tais como descentralização e privacidade, estão pensadas como objetivos primordiais das criptomoedas pioneiras (e com maior capitalização no mercado atual).

Como já foi referido, a primeira criptomoeda a prosperar foi a Bitcoin. Esta é, portanto, a criptomoeda mais antiga e com maior valor de capitalização do mercado.

O termo Altcoins (derivado de Alternative Coins) é usado para nos referirmos a todas as outras criptomoedas que não são Bitcoin.

Criptomoedas vs Moedas Fiat

As criptomoedas surgiram como promessa revolucionária. Apresentam características únicas e, dependendo da interpretação pessoal dos autores, são facilmente comparáveis às moedas convencionais.

NOTA:
O termo “moedas Fiat” (ou moedas fiduciárias/convencionais) refere-se a todas as moedas que têm o seu valor assegurado por um governo. Quer isto dizer que não têm qualquer valor intrínseco. Valem apenas aquilo que a comunidade acredita ser o seu valor e, mesmo este, pode ser manipulado por instituições governamentais.
EXEMPLOS: Euro, Dólar, GBP, etc…

Analisemos algumas das funções principais das moedas, numa lógica comparativa entre o mundo virtual e o dinheiro palpável:

  • meio de pagamento e instrumento de troca: de forma semelhante às moedas Fiat, também as moedas virtuais possibilitam a facilitação das trocas entre os diversos agentes económicos, desde que as duas partes intervenientes na transação estejam dispostas a aceitar este ativo como meio de pagamento.
  • unidade de conta e de referência de valor: ambas permitem comparar os valores relativos dos diferentes bens, através da quantificação em unidades monetárias contáveis.  
  • reserva de valor: talvez esta seja a função que ainda mais questões levanta quando falamos de criptomoedas. Devido à especulação e volatilidade de preços, não podemos assegurar que ao adquirir uma criptomoeda iremos conseguir acumular valor sobre a forma de poupança para o futuro. Contudo, e se analisarmos bem, o mesmo acontece com as moedas Fiat: devido à inflação, o valor da moeda fiduciária pode sofrer alterações, nomeadamente, desvalorizações. A diferença está na existência de uma entidade reguladora que tem a capacidade de estabilizar o valor do ativo, ou de atenuar as suas variações.

No entanto, é um facto inegável que a aceitação de criptomoedas como meio de pagamento é ainda muito reduzida. E este é um impedimento óbvio na sua utilização e uma desvantagem quando comparadas com as moedas fiduciárias.

Em contrapartida, as criptomoedas apresentam a vantagem de serem não centralizadas e “moedas democráticas”, em que a comunidade decide os progressos democraticamente. Quer isto dizer que não existe uma entidade responsável por verificar e regular as transações, ou por guardar todo o registo de dados. Esta característica pode ser bastante vantajosa na medida em que é quase impossível que o sistema seja hackeado ou manipulado, como por vezes acontece com os instituições bancárias tradicionais.

No entanto, é também notório que o número de estabelecimentos comerciais que aceitam Bitcoin, ou outras criptomoedas, está a aumentar consideravelmente. Em Portugal são já cerca de 90 instituições. Ainda estamos longe de conseguir fazer todas as transações com recurso a estes ativos, mas para lá caminhamos.

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Sobre o Autor:
Produtora de Conteúdos - Jornal da Moeda

Começou o seu percurso como atleta de alta competição. Em 2015 foi eleita vereadora no projeto "Jovem Autarca" de Santa Maria da Feira e desde então que se mantém presente nas iniciativas municipais.

Atualmente exerce como Auditora Interna no Banco BAI.

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