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Coronavírus faz investidores procurarem refúgio no ouro e na Bitcoin

Bitcoin e Ouro sobem a medida que as preocupações com o coronavírus aumentam. Será que foram eleitos os refúgios seguros preferidos dos Investidores ao Coronavírus?

Podes ler mais sobre este fenómeno  dos refúgios seguros e acerca do Ouro e dos seus segredos.

No que diz respeito a Bitcoin a pergunta é:

“Será este um novo refúgio seguro alternativo de eleição?”

A Bitcoin aumentou 48% desde o início de 2020, superando em muito o ouro, e isso pode ser devido em parte ao coronavírus, por todas as características da maior das criptomoedas.

“O Bitcoin já provou a sua utilidade, porque permite adquirir e transferir valor para qualquer parte do mundo muito, muito rapidamente e muito, muito facilmente. 

Então, se estivesse numa situação em que têm que fazer planos rapidamente, como muitas pessoas na Ásia, que estão preocupadas em ficar presas nas suas cidades, não apenas na China, iam querer ter a capacidade de transportar todo o nosso capital para o exterior a qualquer altura de forma rápida e anónima.

Para além disso também é importante considerar outros factores como o crescimento da criptomoeda desde a sua criação mas principalmente ao facto de a Bitcoin passar por um processo conhecido como “Bitcoin Halving”, onde o fornecimento de bitcoin vai cair para metade, o que dá ainda mais força ao aumento do preço.

O coronavírus e o impacto nos preços do ouro?

Desde março de 2013 que o Ouro não alcançava os 1.600 dólares, esta subida está provavelmente fortemente relacionada com o aumento das preocupações em relação ao coronavirus e a antecipação dos efeitos da epidemia na ecónomia global.

A curta hístoria é que o ouro é um refúgio seguro, a longa história é que, embora o ouro não trate nenhum sintoma, a compra de ouro pode proteger capital do declínio de curto prazo no mercado de ações ou da desvalorização da moeda, possíveis consequências associadas ao cenário da dissipação e crescimento da epidemia.

O vírus é novo, mas o medo do vírus não é.

O preço do ouro aumentou aproximadamente 3% durante o segundo trimestre de 2003, com um máximo intra-trimestral de 16% ( Gráfico ). Mas não é fácil avaliar a contribuição do surto para o desempenho do ouro, pois a epidemia de 2003 coincidiu com o início da invasão do Iraque pelos Estados Unidos e um período durante o qual o dólar americano enfraqueceu.

Gráfico de Ouro (LBMA Gold Price PM) Vs US dollar index
Gráfico de Ouro (LBMA Gold Price PM) Vs US dollar index

Apesar disto é claro que houve mudanças importantes na China e no mercado chinês do ouro desde o surto de 2003.

A economia chinesa em 2003 representava aprox. 8 vezes menos do que em 2019 no mercado de ouro. Numa base relativa, a China tornou-se no componente mais importante da economia global, contribuindo hoje com quase 15% do PIB mundial, em relação a 3 % em 2003. Além disso, a estrutura do PIB chinês mudou acentuadamente, deixando de ser direcionada principalmente ao investimento para passer a ser direcionada principalmente para o consumo ( Gráfico 2 ).

Gráfico 2: Contribuição do Consumo, Investimento e Exportações para o GDP em 2003 e 2019
Gráfico 2: Contribuição do Consumo, Investimento e Exportações para o GDP da China em 2003 e 2019

O mercado chinês também mudou bastante em relação ao Ouro. A procura do consumidor chinês representou 8% do total mundial em 2003.

Hoje, a China é protagonista no mercado de ouro, contribuindo com 30% da procura do consumidor em 2019.

As fontes de procura também mudaram: o investimento era praticamente inexistente antes do estabelecimento do Shanghai Gold Exchange (SGE) em 2002 e a legalização do investimento privado em ouro em 2004 ( Gráfico 3 ).

Imagem3 1 | Coronavírus faz investidores procurarem refúgio no ouro e na Bitcoin
Procura de Ouro na China

Estas mudanças no tamanho e composição da economia chinesa e do mercado de ouro têm implicações relevantes no provável efeito do COVID19.

Por exemplo, o fato de o PIB chinês incluir uma contribuição mais alta do consumo significa que o PIB poderá sofrer mais do que em 2003, dada a reduzida atividade económica que já experimentou até agora durante 2020. 

Ao mesmo tempo, o impacto do crescimento chinês abrandar poderá afetar a economia global e aumentará a incerteza dos investidores, o que pode impulsionar fluxos de fuga para o refúgio do ouro – na China e no exterior. 

Parte desse efeito já é visível pelo aumento dos volumes negociados na Bolsa de Ouro de Xangai após o Ano Novo Chinês, bem como pelos fluxos contínuos de ETF baseados em ouro no mesmo período. 

A apoiar ainda mais a ascensão do ouro, os rendimentos do Tesouro dos EUA caíram após fracos dados de vendas de retalho e de preocupações com o vírus.

Os gastos dos consumidores nos EUA parecem ter diminuído ainda mais em Janeiro, o que levanta preocupações sobre a capacidade da economia continuar a expandir-se a um ritmo sustentável.

Conclusão

A epidemia do coronavírus na China está a evoluir rapidamente. Embora hája indicações de que a disseminação da doença está a começar a desacelerar, especialmente fora da província de Hubei, onde o vírus atacou pela primeira vez. 

Ainda está para ser determinado o desempenho, mas, na nossa opinião, é quase certo que a procura dos consumidores da China vai diminuir. A procura no primeiro trimestre pode retrair de 10% a 15% com base nas previsões. Se a procura recuperar ou se vai continuar a abrandar vai depender da duração da epidemia e de seu impacto no crescimento económico.

O impacto fundamental no desempenho dos preços da bitcoin e nos preços do ouro é pouco evidente e díficil de quantificar devido a todos os factores enumerados, no entanto é possível afirmar que tecnicamente o surto do coronavírus coincide com uma acelaração na procura dos dois activos .