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O que é e como funciona a criptomoeda Stellar Lumens (XLM)?

A rede Stellar (ver dados) apresenta-se como uma rede global, aberta e descentralizada, de transferência de ativos quase instantaneamente e de baixo custo. Constitui, assim, uma alternativa inovadora ao sistema global de transações da atualidade. O seu ativo nativo é a criptomoeda Stellar Lumens (XLM). No entanto, a rede concorre diretamente com a Ripple, de caráter mais centralizado e software proprietário.

Mas, sabe realmente o que é a Stellar, como funciona e qual o seu potencial? E a sua criptomoeda Stellar Lumens (XLM)?

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O que é a Stellar?

A Stellar é uma blockchain descentralizada, de código aberto, que permite a transação de ativos financeiros a nível global. Assim, torna possível a transação de moeda, sejam dólares, euros, pesos mexicanos, bitcoin ou outras criptomoedas, entre indíviduos de forma direta (peer-to-peer), isto é, sem a intervenção de intermediários e pelo custo de uma fração de um cêntimo.

Jed Mcaleb, fundador da Stellar e da criptomoeda Stellar Lumens
Jed Mcaleb, fundador da Stellar. Fonte: Iconomics @ Medium

A rede Stellar foi lançada a 31 de Julho de 2014 por Jed Mcaleb, por este discordar da forma como a Ripple estava a ser desenvolvida, de forma muito mais centralizada e com software proprietário. Ou seja, de código fechado. Assim, Mcaleb pretendia as funcionalidade que tinha já desenvolvido para a Ripple, mas de forma mais aberta e descentralizada.

O que é a criptomoeda Stellar Lumens (XLM)?

Enquanto rede descentralizada a Stellar possui a sua própria criptomoeda, Stellar Lumens, ou Lumens apenas, representada pelo símbolo XLM. É importante perceber a diferença entre XLM e a própria rede Stellar, pois nesta última podem coexistir muitos outros tokens enquanto equivalente digital de um outro ativo. As Stellar Lumens cumprem três funções principais:

  • Funcionam como mecanismo anti-spam, por obrigar a que cada carteira de Stellar possua um número mínimo de Lumens, que neste momento corresponde a 0,5 XLM.
  • Pagamento de taxas de transação, cujo valor base é de o,oooo1 XLM, suficientemente baixo para não ser prejudicial para o utilizador, mas alto o suficiente para dissuadir ataques de spam à rede.
  • Moeda intermediária de troca entre dois ativos diferentes, pois pode ser utilizada como meio de conversão de dólares para euros, por exemplo, nas transações de ativos internacionais.

Assim, é importante perceber esta diferença entre a rede Stellar, que suporta todo o ecossistema, e a criptomoeda Stellar Lumens que tem um caráter maioritariamente funcional dentro da própria rede. Contudo, as Lumens não são o único ativo passível de circular nesta rede.

Como funciona a rede Stellar?

Enquanto uma rede descentralizada assente em blockchain, a Stellar depende de participantes (nodes) para garantir que as operações são verificadas e registadas no ledger próprio. Contudo, ao contrário do que acontece com a Bitcoin ou a Ethereum, que usam proof-of-work como mecanismo de consenso, a Stellar usa o Stellar Consensus Protocol (SCP), também chamado de Federated Byzantine Agreement.

Mas, como funciona este mecanismo?

Para se participar na validação de blocos, na rede Stellar, não é necessário possuir um equipamento computacional muito poderoso, bastando um computador portátil “normal”, de uso doméstico. No entanto, é necessário correr um software específico, chamado Stellar Core.

Após configurar o node, o que acontece é que este irá trocar “mensagens”, ou seja, informação, com outros nodes da rede. Contudo, irá comunicar apenas com o seu quorum slice, ou seja, um determinado número de nodes preferencial. No entanto, o quorum slice de outros nodes, inclusive daqueles com o qual o nosso node comunica, pode ser diferente. A interseção das várias quorum slices é chamada de quorum. Assim, é nesta interseção de nodes preferenciais que é conseguida a descentralização da rede Stellar.

E porque os vários nodes estão constantemente a trocar informação entre os participantes das suas quorum slices acabam por, direta ou indiretamente, comunicar com todos os nodes da rede. E assim validam uma determinada transação, evitando informações contraditórias, e por conseguinte o problema do gasto duplo de um mesmo token.

Aplicações da Stellar

Já aqui foi dito que, de forma geral, o propósito da Stellar são transações globais de ativos, de forma quase instantânea e a baixo custo. Contudo, esta definição generalista não expõe os vários casos de uso da rede Stellar. Assim, pode dizer-se que a Stellar permite a transação quase instantânea de ativos que são convertidos em tokens específicos para circularem dentro da própria rede. E quando falamos destes ativos, podemos falar de:

  • Tokenização de moedas fiduciárias como os euros, dólares, pesos mexicanos, ou nairas nigerianos;
  • Criação de tokens específicos para transacionar criptomoedas dentro da rede Stellar como a bitcoin (BTC), a ether (ETH), ou a própria criptomoeda Stellar Lumens (XLM);
  • Lançamento de ICO’s, muito populares na rede da Ethereum ou da EOS, mas que podem também ser criadas na rede Stellar;
  • Tokenização de serviços, como uma hora de trabalho de um designer, um advogado ou um contabilista, podem ser convertidos em tokens e transacionados;
  • Corretora descentralizada (DEX), incorporada na própria rede da Stellar, que permite a negociação de tokens sem que estas tenham que sair da própria carteira até ao momento da transação efetiva;
Parcerias da Stellar | O que é e como funciona a criptomoeda Stellar Lumens (XLM)?
Parcerias da Rede Stellar

E estes são apenas alguns exemplos das potencialidades da Stellar. Em suma, tudo o que possa ser convertido para um token pode ser transacionado nesta rede. Mas, para que isto aconteça, particularmente importante no campo das moedas fiduciárias, um elemento fundamental é necessário nesta conversão: as Anchors.

O que são Anchors?

Uma Anchor, ou Âncora em português, constitui um agente responsável por ligar a rede Stellar ao sistema bancário tradicional e podem ter duas funções:

  • Emitir tokens cujo valor está diretamente ligado a uma moeda regulada, como o euro, por exemplo, e convertíveis numa razão de um para um;
  • Criar uma via de comunicação com o sistema bancário do país em que a Anchor estiver sediada, permitindo depósitos e levantamentos que respeitem os processos reguladores como o KYC (Know your Customer) e AML (Anti Money Laundering);

Estes dois componentes podem ser operados pela mesma entidade ou por várias, permitindo não só as transferências quase instantâneas e de custo residual, como a conversibilidade imediata para a moeda à qual o token está ligado.

Com estas características, a Stellar pode apresentar-se como um concorrente direto da SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) responsável atual pelas transações financeiras ao nível global. E ainda, se a isto acrescentarmos a capacidade das Lumens (XLM) em funcionarem como intermediário direto de conversão entre tokens na rede Stellar, podemos estar perante um concorrente com vantagem sobre uma série de intermediários que proporcionam esses serviços na atualidade. Portanto, transações internacionais, entre diferentes moedas, que atualmente custam milhares de euros por ano, e demoram vários dias a serem concluídas, podem através da rede Stellar custar cêntimos e ocorrer em 5 segundos.

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Stellar vs. Ripple: semelhanças e diferenças

Depois de descrita a função mais elementar da Stellar, as suas semelhanças com a Ripple tornam-se óbvias. Constituem dois projetos com funções idênticas. Foram, aliás, concebidas pelo mesmo desenvolvedor, Jed Mcaleb. Depois de lançar o projeto da Ripple em 2012, saiu em 2013 para criar a Stellar, lançada em 2015.

Mas, o que levou Jed Mcaleb a criar a Stellar?

A resposta não é clara e gerou alguma controvérsia no altura, originando discursos com algum ódio de ambas as partes. Visto de forma objetiva pode dizer-se que a Stellar é um fork conceptual da Ripple. Ou seja, mesmo não tendo ocorrido um hard fork no sentido técnico, o certo é que a proposta da Stellar é muito semelhante à da sua “irmã” mais velha. Contudo há dois aspetos fundamentais que as diferenciam: o target e a descentralização.

Quanto ao target, ou seja, aos parceiros e clientes para quem criam serviços, a Ripple está mais orientada para a banca tradicional e grandes fundos de investimento, ao passo que a Stellar, apesar da sua parceria com a IBM, opera mais como uma fundação sem fins lucrativos, orientada para os países em desenvolvimento e para aqueles com dificuldades de acesso a serviços financeiros.

Quanto ao caráter descentralizado, se a rede Ripple se baseia num conjunto de nodes sugerido por uma Unique Node List, possui a maior parte dos seus tokens XRP e guarda para si os direitos sobre os produtos que desenvolve (xVia, xCurrent e xRapid). Em contrapartida, a Stellar possui uma rede descentralizada da qual qualquer um pode participar como validador, distribui as suas tokens sob a forma de airdrops, e disponibiliza o código do seu software de forma aberta.

No entanto, talvez a questão fundamental não seja qual o melhor projeto, mas antes, como podem as duas redes facultar serviços a diferentes agentes financeiros numa lógica global de transações. Assim, poderemos no futuro ter duas redes que servem diferentes fins junto das instituições financeiras mais tradicionais? O certo é que a rede SWIFT, criada nos anos 70, essa sim enfrenta duas concorrentes baseadas na inovadora tecnologia da blockchain.

Como investir em criptomoeda Stellar Lumens?

No Jornal da Moeda já falamos de três estratégias a investir em criptomoedas. Dado que a Stellar, no processo de validação não gera uma recompensa para os nodes, do ponto de vista do investimento, a participação na rede deixa de ser uma opção viável. Contudo, a Stellar Development Foundation (SDF) leva a cabo um programa de airdrops através do qual distribui as cerca de 30 000000000 Lumens que detêm em sua posse.

Os airdrops de Lumens (XLM)

Inicialmente estava prevista um inflação de 1% no número total de criptomoeda Stellar Lumens existente. Isto procurava colmatar os tokens que se perdessem em carteiras às quais os utilizadores perdessem o acesso, ou em transações executadas para endereços incompletos. Contudo, em 2019 a comunidade votou para que se acabasse com o processo de inflação, e como prova da descentralização da Fundação, o número máximo de Stellar Lumens foi declarado como sendo 50,001,803,840 XLM.

Contudo, e com vista à distribuição dos tokens pelos seus utilizadores, a Stellar realiza airdrops, ou seja depósitos de um determinado número de Lumens em função do número pré-existente na carteira de cada utilizador.

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Histórico de preço

A criptomoeda Stellar Lumens (XLM) ocupa a 12ª posição em capitalização de mercado, contando com 20,311,296,157 XML em circulação.

A sua valorização desde o seu lançamento até à atualidade é de 2388 %, ou seja, é de mais de 23 vezes o seu valor inicial. Se tivesse investido 1000 euros à data de lançamento teria hoje 23 880 euros.

A evolução do preço até 2017

O primeiro ano do lançamento da Stellar e da sua criptomoeda Stellar Lumens (XLM) apresentou umas oscilações de valor interessantes. Atingindo o valor de 0,004 euros, ou seja, próxima de meio cêntimo, corrigindo rapidamente para 0,0013 euros, e voltando a subir no final de 2014, ultrapassando os 0,005 euros a 26 de dezembro, ou seja, uma volatilidade de mais de 500% no primeiro ano de existência.

Variação da Criptomoeda Stellar Lumens: 2014 - 2016

No ano seguinte, manteve uma correção do seu pico, atingindo duas vezes o fundo no valor de 0,0013, oferecendo uma possível oportunidade de entrada aqueles que tivessem falhado a oportunidade em 2014. Terminou o ano de 2015, já com a mainet lançada e com o seu protocolo SCP funcional, a 0,0025 euros, uma subida de quase 100% em relação ao fundo das semanas anteriores.

A criptomoeda Stellar Lumens (XLM) de 2017 a 2018

O ano de 2017 e 2018 foram períodos de grande volatilidade nas criptomoedas, apresentando importantes oportunidades de valorização, mas também de risco. A criptomoeda Stellar Lumens não foi exceção, estabelecendo novos máximos de preço e também novos suportes.

No primeiro trimestre de 2017 verificou alguma volatilidade, sem, no entanto, voltar a tocar no mínimo de 2015. Iniciou a sua ascensão no segundo trimestre de 2017, subindo vertiginosamente para o valor de 0,05 euros, quase 10 vezes o valor máximo atingido no passado. E embora tenha corrigido nos meses subsequentes, o seu mínimo nesse ano não passou abaixo de 0,013, um valor 1000% acima do mínimo do ano anterior.

Variação de Preço da Criptomoeda Stellar Lumens: 2017 - 2018

Contudo, a sua grande valorização tem início a 27 de novembro de 2017, quando ultrapassa os 0,05 euros e continua numa tendência ascendente que a leva, na mudança de ano para uns surpreendentes 0,75 cêntimos a 4 de janeiro de 2018.

Num período de cerca de 38 dias o valor da criptomoeda Stellar Lumens (XLM) subiu 1500 %, de cerca de 0,05 € para 0,75 €.

O ano de 2018, também chamado de cryptowinter, foi de correção de valor em todas as criptomoedas. As Lumens encontram durante um ano um suporte por volta dos 0,17 euros, a partir do qual ainda registaram duas oscilações de mais de 100% do seu valor. Contudo, terminou o ano a quebrar o suporte e corrigir para um novo mínimo de 0,085 euros.

A evolução do preço de 2019 até 2020

A palavra que melhor descreve a evolução do preço neste período é volatilidade. Apesar de uma certa tendência descendente até março de 2020, ao longo do ano de 2019 foi registando variações de preço na ordem dos 25%, e até superiores, apesar do risco inerente a esse tipo de negociação.

Variação de Preço da Criptomoeda Stellar Lumens: 2019 - 2020

Contudo, a partir de março de 2020, parece ter iniciado uma nova tendência ascendente, ultrapassando uma resistência que se vinha a afirmar desde o final de 2019, subindo mais 100%.

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Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Estudante de Engenharia Informática no Instituto Politécnico de Viana do Castelo e licenciado em Antropologia pela Universidade de Coimbra em 2012, de onde herdou a curiosidade pela escrita e o hábito de desconstruir crenças e práticas culturais e sociais.
Foi introduzido ao universo das criptomoedas em 2017 ao qual ficou imediatamente rendido. Foi ainda tradutor no projeto DaVinci/Utopian na plataforma Steem até 2019.

Citação:
"A desmistificação das criptomoedas é acima de tudo um meio para a educação financeira, questionando as próprias convenções sobre a natureza do dinheiro."

Sobre o Autor:
Produtora de Conteúdos - Jornal da Moeda

Começou o seu percurso como atleta de alta competição. Em 2015 foi eleita vereadora no projeto "Jovem Autarca" de Santa Maria da Feira e desde então que se mantém presente nas iniciativas municipais.

Atualmente exerce como Auditora Interna no Banco BAI.

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