fbpx

Entrevista Jornal da Moeda aos analistas XTB

No seguimento das condições económicas e sociais que experienciamos atualmente, a nível global, o Jornal da Moeda entrevistou os analistas da XTB no que respeita às suas perspetivas económicas com base no acordo para o fundo de recuperação pós-pandemia.

Veja em baixo a entrevista completa:

Consideram que vai ser concluído o acordo alcançado pelos membros da UE para o fundo de recuperação pós-pandemia?

Cremos que o acordo vai ser alcançado pelos membros na UE. A questão mais importante é se esse acordo será alcançado e aplicado em tempo útil, ou se será subjugado a uma burocracia sem fim que ponha em causa a sua eficácia no socorro dos setores económicos e sociais mais afetados.

Na vossa opinião, o acordo vai ser aprovado como está ou ainda sofrerá alterações?

O acordo definiu que, dos 750 milhões de euros, 360.000 milhões serão concedidos como empréstimos e 390.000 milhões como transferências a fundo perdido. É provável que o acordo venha a sofrer algumas pequenas alterações e ajustes, possivelmente no montante dos fundos transferidos, uma vez que o valor inicialmente previsto era de 500 milhões.

À medida que se for definindo o destino de cada fatia do bolo pelos diferentes membros, poderão ser necessários ajustes.

Qual pensam que será o impacto na economia da zona euro das políticas do BCE a curto e longo prazo, nomeadamente quanto às taxas de juro e compra de dívida?

Sinceramente, julgamos que não vai ter grande influência, uma vez que a recompra de obrigações vai continuar apesar do pacote de ajuda.

COMEÇAR A INVESTIR

Qual é a perspetiva sobre a inflação no curto e longo prazo, em Portugal?

As baixas taxas de juro praticadas pelo BCE traduzem-se em maior liquidez, o que pode incentivar a um aumento da inflação.

Qual é a vossa opinião em relação à posição económica e as perspetivas para o futuro do País? Quais julgam ser os maiores fatores de incerteza para o mercado a curto e longo prazo?

As maiores fontes de incerteza estão na recuperação da confiança do consumidor, tanto interno como externo.

A economia é feita de confiança. E o “desconfinamento” dos bolsos portugueses poderá demorar, dada a incerteza quanto ao futuro, preferindo-se poupar a gastar, o que leva a um estagnamento da economia nacional.

O turismo também aguarda ansiosamente pelo aumento da confiança e pelo regresso dos turistas. Cremos que se avizinham tempos difíceis para Portugal, uma vez que a crise pandémica está a deixar sequelas difíceis de curar, podendo mesmo ser fatais para muitos negócios, se não conseguirem recuperar níveis aceitáveis no médio prazo.

Os portugueses e os investidores em geral, temem que estas sequelas só revelem as consequências depois da crise pandémica, sendo incerto a velocidade a que as diferentes economias conseguirão reerguer-se.

O enorme pacote de socorro do BCE tem, precisamente, o propósito de equilibrar a recuperação dos diferentes membros da UE, a fim de garantir a estabilidade do grupo e da moeda única. Mas a economia está também dependente de fatores externos ao velho continente.

As eleições presidenciais nos EUA, as tensões com a China e as sequelas da crise dos países emergentes poderão pôr em causa a recuperação da economia global. Todos estes fatores entretecidos, geram um clima tenso na economia, que dificulta a recuperação da confiança do consumidor.

Deixamos o nosso agradecimento pela colaboração aos analistas André Pires, Nuno Mello e Miguel Ciobanu que se disponibilizaram para esta colaboração.

?cid=568778 | Entrevista Jornal da Moeda aos analistas XTB