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O que é Ethereum Classic (ETC)? Criação, DAO Hack e Price Action

O que é Ethereum Classic: A Criação

Começemos, naturalmente, pelo início…

A Ethereum Classic partilha com a Ethereum (ETH) parte da sua história e conceito. Desde o lançamento do Whitepaper (2013) até ao hard fork (2016), ano em que a comunidade se dividiu, dando origem a uma nova blockchain que tomou para si o nome de Ethereum.

A rede que manteve a continuidade da blockchain anterior foi dado o nome de Ethereum Classic.

Vitalik Buterin
Fundador da Ethereum – Vitalik Buterin @ TechCrunch (2018)

O projeto da blockchain da Etherum foi inicialmente exposto e elaborado por Vitalik Buterin, um jovem prodígio (na altura com 19 anos). Resumidamente, a proposta deste projeto passava por desenvolver uma plataforma open source descentralizada, assente em tecnologia Blockchain, que permitisse a execução de smart-contracts.

Smart-Contracts

Os smart-contracts, idealizados por Vitalik apresentavam duas importantes características:

  • Possibilitavam a criação dum ecossistema onde poderiam ser lançadas novas aplicações descentralizadas- D’Apps, sem a necessidade de criar uma nova blockchain de raíz.
  • A possibilidade de criar smart-contracts que se executam de forma automática assim que as condições para tal são cumpridas, dispensando a intervenção de intermediários.
Smart-Contracts
Funcionamento dos Smart-Contract

Estas características permitiram que nos anos seguintes fossem lançados inúmeros projetos baseados em criptomoedas, em particular as DApps – aplicações descentralizadas – sobre a plataforma da Ethereum.

Umas das primeiras e mais relevantes D’Apps foi a DAO – Decentralized Autonomous Organization. Uma DAO consistia num fundo de capital de risco sem uma autoridade central cuja governança era decidida através dos votos dos stake holders – ou seja, dos participantes que tinham investido o seu capital, em tokens da Ethereum, nesse mesmo fundo. Estes participantes recebiam em troca tokens DAO.

Assim, a DAO representava, na sua essência, um smart-contract que automatizava todo este processo, registando na Blockchain da Ethereum o valor investido por cada carteira e respetivo valor a entregar em DAO tokens.

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Como ocorreu o hack da DAO?

A DAO foi lançada a 30 de Abril de 2016, dois anos após a testnet da Ethereum, e duas semanas depois tinha já arrecadado mais de 100 milhões de dólares em Ether, a criptomoeda da rede Ethereum à data.

Contudo vários foram os agentes que se preocuparam em auditar o código do conjunto de smart contracts que compunham a DAO e, desde cedo, foram descobertas e comunicadas uma série de vulnerabilidades.

Uma das vulnerabilidades no código da DAO foi o que se chama de ataque de Recursive Call. Uma recursive call é, de forma simples, uma chamada com recursividade, que repete uma determinada função do código de um smart contract por um número determinado de vezes.

Mesmo assim, as falhas de segurança nos smart contracts da DAO não foram retificados atempadamente. Isto permitiu que um agente malicioso explorasse uma dessas falhas executando uma série de levantamentos de Ether para o endereço da sua carteira.

Contudo, o levantamento de fundos da DAO implicava um periodo de 28 dias em que estes ficavam “congelados”. Foi neste espaço de tempo que a comunidade da Ethereum começou a fraturar-se e as opiniões dividiram-se.

Qual foi o resultado? Um hard fork da rede Ethereum.

Como ocorreu o hard fork da Ethereum?

Se não sabes o que é um hard fork, nós explicamos tudo em “O que é um fork nas criptomoedas?”

O polémico ataque à DAO veio dividir a comunidade da Ethereum em dois pólos diferentes:

  • Uns procuravam uma solução para recuperar os fundos perdidos.
  • Outros defendiam que o ataque serviria de aprendizagem para o futuro, sob a máxima da descentralização.

Portanto, existiam aqueles que reconheciam que tinha ocorrido um erro na programação dos smart contracts da DAO e que defendiam a reversão da blockchain ao estado anterior ao ataque, recuperando os fundos perdidos para o atacante.

Por outro lado, aqueles que acreditavam nos fundamentos libertários e absolutamente descentralizados da rede Ethereum e da filosofia da Bitcoin. Sob a máxima de “code is law” (o código de programação é lei) decidiram manter o ataque à DAO e as respetivas transações.

A DAO e o hardfork do Ethereum
A influência do hack à DAO na valorização da Etereum e criação da Ethereum Classic.
Fonte: sfox

Foi essa polarização ideológica da comunidade que levou ao hard fork da Blockchain da Ethereum em duas blockchain diferentes. E, consequentemente, em duas comunidades diferentes com as suas próprias ideologias:

  1. Aqueles que defendiam a reversão das transações maliciosas deram origem ao Ethereum atual.
  2. Os que optaram por assumir que existiam erros nos smart contracts, que por sua vez eram escritos por humanos, mas aprendendo com os erros, mantiveram-se fiéis aos seus princípios, originando a Ethereum Classic. Assim sendo, o atacante manteve o Ether resultante do ataque em Ether Classic (ETC) perdendo os “lucros” na nova rede da Ethereum (ETH).

ETC vs. ETH: quais as diferenças?

Dado que ambos os projetos são tecnologicamente muito semelhantes pois surgem de uma única blockchain é difícil encontrar diferenças entre eles. No entanto três traços destacam-se:

Em relação ao financiamento, o novo fork da Ethereum (ETH) manteve o apoio de instituições como JP Morgan, o Citibank da Citigroup, FedEx ou Intel, ao passo que a Ethereum Classic manteve-se mais independente e com fundos da própria comunidade.

Tecnicamente também se foram afirmando algumas diferenças…

O mecanismo de consenso, que inicialmente era PoW (proof-of-work) mas com planos para transitar para PoS (proof-of-stake). Como tal, a Ethereum iniciou em Dezembro de 2020 o processo de transição para PoS. Contudo, os programadores fiéis à Ethereum Classic optaram por manter o mecanismo de PoW (proof-of work).

Quanto ao número de tokens que são cunhados por ano...

No caso da Ethereum não existe um limite máximo para o número de tokens que poderão existir. Contudo, o número cunhado por ano mantém-se mais ou menos estável, o que leva a que, em termos percentuais, a percentagem de novas tokens de ETH vá diminuindo em relação ao número total em circulação.

Já no caso da Ethereum Classic (ETC) o número máximo de tokens está nas 210 000 000, sendo a recompensa por bloco reduzida em 20% a cada ano.

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Como investir na Ethereum Classic?

Já aqui no Jornal da Moeda falamos de como investir em criptomoedas.

Hodling, trading e mining são as palavras de ordem. Se quiseres saber mais sobre estas estratégias consulta este artigo: “3 Estratégias a Investir em Criptomoedas: Trading, Hodling e Mining

Passemos a analisar as variações de preço desta criptomoeda…

Histórico de preço: 2016 a 2018

A listagem da token ETC ocorreu por volta de 25 de Julho de 2016 com o seu valor a fechar nessa semana a 1,485 euros. Contudo, ao longo desse ano o valor foi corrigindo até ao mínimo de 0,60 euros, terminando o ano a 1,31 euros. Estamos portanto a falar de uma volatilidade que superou os 50% tanto na descida como na subida.

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Grafico de velas semanal da ETC/EUR (2016-2018)

Foi contudo, no ano de 2017, o mais recent ano de bull market que, à semelhança de outras criptomoedas, o valor do ETC ascendeu vertiginosamente. Na primeira metade do desse ano ocorreu uma valorização de cerca de 20,29 euros, 2269% de aumento em 6 meses.

Contudo seguiu-se uma correção num espaço de 2 meses encontrando o fundo a 11 de setembro nos 7,04 euros. Ainda assim, seguiu-se um novo período de valorização exponencial de 466% em relação ao fundo mais recente, atingindo os 39,68 euros e definindo uma nova resistência nesse valor.

O ETC de 2018 até 2021

Com a entrada de um bear market como foi o de 2018 para a generalidade do mercado das criptomoedas, a ETC registou uma correção de 90%, dos 39,68 para 2,90 euros. Mas apesar da descida, que em parte se pode considerar saudável depois do crescimento exponencial. Ainda assim, esta correção foi importante para definir um suporte muito importante que não foi mais quebrado no valor psicológico dos 3,00€.

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Grafico de velas semanal da ETC/EUR (2018-2021)

Após 2018, o ano seguinte demonstrou-se desafiante para os investidores, em que atingiu um máximo anual de 8,84, mais de 100% de valorização em relação ao suporte mais recente, que voltou a testar no final desse anos.

Mas é no final de 2019 que ETC concede mais uma oportunidade registando uma subida até aos 12,17 euros, posição na qual definiu uma nova resistência, já em 2020. Assim, neste mesmo ano voltou a corrigir, consolidando entre os 7 e os 4 euros como resistência e suporte respetivamente.

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Aviso Legal: Os conteúdos do Jornal da Moeda servem apenas como fonte de informação. Nada do que está aqui expresso deve ser usado como aconselhamento ao investimento. Investir envolve risco de perdas.”

Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Estudante de Engenharia Informática no Instituto Politécnico de Viana do Castelo e licenciado em Antropologia pela Universidade de Coimbra em 2012, de onde herdou a curiosidade pela escrita e o hábito de desconstruir crenças e práticas culturais e sociais.
Foi introduzido ao universo das criptomoedas em 2017 ao qual ficou imediatamente rendido. Foi ainda tradutor no projeto DaVinci/Utopian na plataforma Steem até 2019.

Citação:
"A desmistificação das criptomoedas é acima de tudo um meio para a educação financeira, questionando as próprias convenções sobre a natureza do dinheiro."

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