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Inflação na Zona Euro regista o maior valor desde a criação do Euro

Segundo os mais recentes dados do Eurostat, a inflação da Zona Euro situou-se nos 8,1% em Maio, aumentando 0,7 pontos percentuais (p.p) desde os 7,4% registados em Abril.

Na União Europeia, de acordo com o respetivo instituto oficial de estatística, o Índice de Preços de Consumidor (IPC) alcançou os 8,8% em Maio de 2022. Ou seja, mais 0,7 p.p. do que os 8,1% de Abril.

Na prática, estes valores dizem-nos que de Maio de 2021 até Maio de 2022, os preços subiram em média 8,8% na UE e 8,1% em toda a Zona Euro.

União Europeia mantém a tendência inflacionária

A inflação anual – medida pela variação do Índice de Preços do Consumidor – indica-nos a oscilação de preços em relação ao mesmo mês do ano anterior (período homólogo).

Taxas de Inflação Europa (2012 - 2022)
Taxas de Inflação Europa (2012 – 2022)

Como se vê no gráfico acima, em Dezembro de 2020 chegou mesmo a existir deflação nos 19 países da Zona Euro. Algo que não acontecia desde 2016.

No entanto, desde essa ligeira queda que este índice praticamente não tem parado de subir. Em Maio de 2021 situava-se nos 2,0%, tendo mais que quadriplicado até aos atuais 8,1%.

Crescimento económico abranda cada vez mais

Para estancar a inflação é preciso diminuir a circulação monetária. Havendo uma abundância de moeda a circular, cada euro vale intrinsecamente menos. Logo, o mesmo bem terá que custar mais euros.

A inflação atingida em Maio na Zona Euro é a maior alguma vez registada desde a criação do Euro, em 1999.

Por este motivo, a Comissão Europeia já veio rever em baixa a sua estimativa para o crescimento económico europeu: 2,7%, em vez dos 4% inicialmente previstos. E é também esta a razão pela qual estão a ser aumentadas as taxas de juro dos Bancos Centrais. Quanto mais caro é pedir empréstimos, menos dinheiro é pedido, logo menos dinheiro circula.

Ao mesmo tempo, havendo uma restrição à circulação de moeda na economia, esta automaticamente retrai-se. Como tal, o crescimento económico (medido pela variação do PIB de uma economia) também diminui.

Em 2020 o crescimento económico diminuiu, ao ponto de existir um decrescimento económico. Em 2022 prevê-se que irá diminuir por restrições impostas pelos Bancos Centrais para tentar retrair a circulação monetária nas suas economias.

Impacto do COVID e da guerra na Ucrânia

A pandemia culminou numa restrição obrigatória à economia mundial, através dos seus confinamentos.

Para combatê-la, foram criados vários incentivos ao consumo numa ânsia de retorno ao crescimento económico. Por sua vez, estes terão aumentado em demasia a circulação monetária e é esse um dos motivos para a inflação que vemos hoje.

Mas não é o único. O estrondo da guerra na Ucrânia tem ecoado por todo a Europa e exacerbado ainda mais este problema já latente ao ponto de chegarmos a valores nunca antes vistos pela actual regência europeia.

Tal é evidente averiguando os sectores que mais têm contribuído para o aumento de preços na Zona Euro: a energia (+39,2%) e a comida, álcool e tabaco (+7%). Ambos sectores em que ou a Rússia ou a Ucrânia eram proeminentes.

Na União Europeia as taxas de inflação mais baixas foram registadas em França, Malta (ambas com 5,8%) e na Finlândia (7,1%). Já as taxas mais altas foram registadas na Estónia (20,1%), Lituânia (18,5%) e Letónia (16,8%).

Portugal apresenta-se de acordo com a Zona Euro, situado nos 8,1% anuais, tendo os preços aumentado 1 p.p. desde Abril.

Dos 27 estados-membros da União Europeia, apenas a Holanda viu a sua inflação anual diminuir entre Abril e Maio de 2022.