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Mário Centeno é o novo governador do Banco de Portugal!

O ex-ministro das Finanças já deu pistas para aquilo que vai ser o seu mandato como supervisor da banca portuguesa.

Hoje culmina o conturbado percurso de Mário Centeno até chegar ao cargo que tomou posse de governador do Banco de Portugal. Apesar das diversas polêmicas, das resistências partidárias e até mesmo da providência cautelar levada a cabo pela Iniciativa Liberal, o Banco de Portugal tem oficialmente, hoje, um novo governador.

Mário Centeno é o novo governador do Banco de Portugal e a história da nomeação pertence ao passado, aproveitámos para lhe mostrar a sua postura e comentários.

A entrada de Centeno no BdP;
BCE, Transição Digital e Novo Banco

As declarações de Mário Centeno fizeram-se ouvir como resposta às críticas sobre a sua proximidade com o Governo, justificando com a necessidade de complementaridade:

“O papel do Banco de Portugal não se pode caracterizar pelo antagonismo nem pelo isolacionismo, mas antes pela complementaridade com o Governo, os restantes supervisores financeiros e com a comunidade científica, enfim, com a sociedade”.

Mário Centeno

Os 4 Desafios

O actual governador, salientou que a estratégia do seu mandato passa por “quatro desafios-chave”:

  1. “Assegurar uma supervisão eficiente e exigente, proativa que criando confiança cria valor, num mundo em que a transição digital tem alterado profundamente a prestação de desafios financeiros“;
  2. “Participar e influênciar a Política Monetária Europeia, em prol do crescimento da área do Euro, um crescimento inclusivo e estável, num contexto de taxas de juro baixas e em que as medidas de Política Monetária não convencionais têm um papel reforçado.”
  3. “Definir uma política macroprudencial que assegure a estabilidade do sistema financeiro e não permita a acumulação de riscos sistémicos, que ponham em causa a estabilidade do sistema e o financiamento eficiente da economia.”
  4. Credibilizar as estratégias, os mecanismos e o processo de resolução bancária, assegurando a estabilidade financeira.”

“O Banco de Portugal tem de se tornar sinónimo de ação para enfrentar os inúmeros desafios do futuro próximo. Mas não os deve enfrentar numa torre de marfim, mas sim com toda a sociedade portuguesa“, declarou o ex-ministro aos deputados, há cerca de duas semanas, no âmbito da sua nomeação para o supervisor da banca.

Mário Centeno

Portugal terá mais peso no BCE

Quanto à política monetária europeia, o novo governador do Banco de Portugal afirma que o facto de ter sido presidente do Eurogrupo, lhe permitiu ganhar “capital político e reputacional” importante para o Banco de Portugal ter mais peso nas reuniões e decisões do Banco Central Europeu (BCE).

A transição digital no futuro

“Deve apostar no desenvolvimento da sua dimensão digital e no acompanhamento da evolução do negócio bancário e financeiro, num mundo em que a transição digital assume enorme preponderância, que tem hoje como expoentes máximos as designadas fintech e as moedas virtuais”.

Mário Centeno, Governador do BdP
Mário Centeno e António Costa
Mário Centeno e António Costa

Novo Banco e a Concentração Bancária

Centeno também comentou a sua visão em relação à resolução do BES/venda do Novo Banco.

“A mais desastrosa resolução bancária alguma vez feita na Europa”.

Considerações sobre a resolução do BES por Mário Centeno

Já sobre as críticas ao processo de venda do Novo Banco ao Fundo de Resolução, preferiu destacar que a operação permitiu ao país assegurar a estabilidade financeira, com ganhos na perceção de risco de Portugal nos investidores e agências de rating.

“Sem estabilidade financeira o país não cresce, sem estabilidade financeira os clientes dos bancos não prosperam e sem estabilidade financeira os próprios bancos ficam em situações débeis e muito difíceis.”

Mário Centeno

Também foi questionado sobre a concentração bancária.

“É uma questão que nos preocupa do ponto de vista da diversificação dos polos de decisão e somos contrários à sua unicidade, em particular se ela estiver fora do país”, disse.

Desta forma, o novo governador do Banco de Portugal deixou a sua visão sobre as linhas orientadoras:

“Temos de criar condições para a rentabilidade do setor financeiro em Portugal. Uma das razões que motiva uma tendência de concentração é a procura e a necessidade das instituições financeiras de viabilidade, por causa das taxas de juro baixas.“

Mário Centeno

3 Competências insubstituíveis do BdP para Mário Centeno

  1. Os estudos económicos e o acompanhamento da economia portuguesa;
  2. A produção de informação estatística e a promoção do sistema estatístico nacional;
  3. literacia financeira, acompanhada da dimensão comportamental na supervisão bancária.

Quem é o novo governador do BdP?

Mário Centeno nasceu no Algarve em 1966 e licenciou-se em economia no ISEG, em Lisboa (onde chegou a professor catedrático). Depois de regressar de Harvard com um doutoramento, em 2000, ingressou no BdP, instituição na qual foi economista, diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos e consultor da administração.

Entre novembro de 2015 e junho de 2020 foi ministro das Finanças dos dois governos PS liderados por António Costa.

Foi eleito presidente do Eurogrupo, o grupo de ministros das Finanças da zona euro, e levou as contas públicas portuguesas ao primeiro saldo positivo em democracia, mais concretamente desde o ano de 1973.

Na sua carreira política, já foi alvo de algumas questões mediáticas como em 2017, o caso das trocas de SMS com o gestor António Domingues, da Caixa Geral de Depósitos, o que originou uma comissão parlamentar de inquérito, e mais recentemente com o primeiro-ministro sobre a injeção de capital no Novo Banco, também foi criticada a sua saída na vertente política por abandonar o barco no meio da tempestade provocada pela covid-19.

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