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Mercados Financeiros: O que são e como funcionam?

O que define os Mercados Financeiros?

Antes de se poder falar sobre o que quer que seja de mercados financeiros, é necessário ter, pelo menos, um conhecimento geral sobre os mesmos.

Os mercados financeiros desempenham um papel crucial na estabilidade de uma economia, alocando recursos e criando liquidez para negócios e empresários, o que permite a ocorrência de:

  • angariações de capital (Mercado de Capitais);
  • transferências de risco (Mercado de Derivados);
  • comércio internacional (Forex).

Nota: Estes mercados dependem fortemente da transparência de informação para garantir que os preços definidos são eficientes e apropriados.

“Um mercado financeiro é qualquer mercado no qual compradores e/ou vendedores participam na troca (compra e venda) de ativos financeiros, tais como títulos financeiros/valores mobiliários, moedas e mercadorias.”

Investopedia
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O que se compra nos Mercados Financeiros?

Os investimentos que se fazem nestes mercados podem assumir, nas formas mais tradicionais, 2 formatos diferentes:

  • títulos financeiros (acções, obrigações, etc)
  • ou commodities (matérias-primas)

Commodities “são matérias-primas padronizadas e portanto fáceis de trocar por bens do mesmo tipo, que ajudam a fabricar outros produtos e que têm um preço moderadamente uniformizado.”

The Economist

Investir nos mercados financeiros tem sempre um risco associado. Porém, normalmente define-se um investimento como algo adquirido com o objectivo de gerar receitas no futuro.

É na gestão de risco vs recompensa que se encontra o segredo dos Mercados Financeiros.

INVESTIR EM AÇÕES

Para além dos investimentos mais tradicionais, também existem instrumentos mais “especulativos” como:

  • Futuros
  • Forwards
  • Swaps
  • Opções

Este tipo de instrumentos têm um risco inerente, habitualmente, maior. Em contrapartida com os potenciais ganhos que, quando existem, tendem também a ser mais elevados.

Tipos de Mercados Financeiros

Vejamos agora as diferentes tipologias dos Mercados Financeiros e como distingui-las de forma a que o leitor consiga ter uma estrutura mental melhor elaborada:

Mercados Financeiros tipos 1 | Mercados Financeiros: O que são e como funcionam?

1 – Em relação à maturidade do instrumento financeiro

Os Mercados de Capitais e os Mercados Monetários diferenciam-se, principalmente, em relação à maturidade do instrumento financeiro. Enquanto que os Mercados de Capitais são destinados a operações de médio- longo prazo (>365 dias), os Mercados Monetários são destinados a operações de curto prazo (<365 dias).

Atenção, não é obrigatório nos Mercados de Capitais deter uma acção ou obrigação durante mais de 365 dias depois de a obter. Contudo, o financiamento de longo prazo é o seu propósito principal.

1.1 – Mercado de Capitais

“Os mercados de capitais são mercados para compra e venda de títulos financeiros, que estão subdivididos em títulos de propriedade (acções) ou títulos de crédito (obrigações)”

O’Sullivan, Arthur; Sheffrin, Steven M. (2003); in Economics: Principles in Action

Estes mercados servem para canalizar poupanças e investimentos entre “fornecedores de capital” (quem tem dinheiro para emprestar), e os “utilizadores de capital” (quem precisa de dinheiro).

Os fornecedores de capital, tanto podem ser investidores individuais (cidadão comum, business angel, etc), como investidores colectivos (bancos, seguradoras, ou empresas).

Os utilizadores de capital podem ser empresas, governos e/ou indivíduos. Basicamente, são todos os que precisam de capital extra.

Por exemplo:
Nos mercados de acções realizam-se trocas de títulos de propriedade/capital próprio. Enquanto, os mercados de obrigações possibilitam a troca de títulos de crédito.

1.2 – Mercados Monetários

Nos Mercados Monetários participam apenas instituições financeiras como bancos, seguradoras, fundos de pensões, entre outras.

Estas instituições trocam liquidez (dinheiro) entre si através de vários instrumentos diferentes, investindo umas nas outras.

Vejamos as principais funções:

Mercados Financeiros: Mercado Monetário

Segundo o que noticia o Expresso, o principal segmento do Mercado Monetário são os mercados interbancários (MMI) onde se inserem o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu (BCE), por exemplo.

2 – Em relação à emissão do instrumento financeiro

Aqui podemos seccionar entre:

2.1 – Mercado Primário

No Mercado Primário os investidores adquirem títulos financeiros directamente das entidades que as emitem.

É neste mercado que os governos, empresas e outras instituições acordam o valor de base para os novos valores mobiliários que estão a ser criados/emitidos. Uma espécie de troca de dívida (obrigações) ou capital próprio (ações), por dinheiro.

Isto é, sempre que há um IPO (Oferta Pública Inicial, em português), a transacção ocorre em Mercado Primário

Facebook IPO

Curiosidade: O IPO do Facebook Inc. em 2012, foi o maior IPO de sempre de uma empresa digital e um dos maiores do setor tecnológico. Bastantes investidores acreditavam que o valor das ações iria crescer rapidamente assim que entrasse no mercado secundário, graças à popularidade da empresa.

INVESTIR EM AÇÕES

2.2 – E Mercado Secundário

No mercado secundário, os investidores trocam (compram/vendem) títulos entres si.

A partir daí, todas as transacções seguintes das acções ou obrigações emitidas pela mesma empresa ocorrem no Mercado Secundário.

2.2.1 – Forma de organização do Mercado Secundário

O Mercado Secundário pode estar organizado de duas maneiras diferentes: Bolsas ou OTC markets.

  • Bolsas de Valores

As transações realizadas na Bolsa de Valores (ex: NYSE, Bombay Stock Exchange, etc) são regidas por regras padronizadas exigidas pela organização em que são trocadas.

Numa Bolsa de Valores o preço cotado para um título financeiro é sempre o mesmo independentemente de quem esteja a fazer a troca. Tal acontece devido ao facto de todas as trocas fluírem através de um local físico central e organizado.

  • Mercado OTC (“Over-the-Counter“)

Em contraste, um mercado OTC é um mercado virtual descentralizado onde as transacções ocorrem directamente entre duas partes (através de um corretor/negociador).

Enquanto uma Bolsa de Valores tem benefícios como facilitar a liquidez e providenciar transparência, as trocas OTC ajudam a promover capital e instrumentos financeiros que, doutra maneira, estariam indisponíveis para Fornecedores ou Utilizadores de Capital que não consigam cumprir as condições necessárias para trocar em Bolsa.

Curiosidade: A pink sheet de onde o Jordan Belfort (personagem que dá origem ao “Lobo de Wall Street“) fez a sua fortuna, é um mercado OTC.

3 – Em relação ao tipo de instrumento financeiro

Dado já termos abordado tanto o Mercado de Ações como o de Obrigações, seguimos diretamente para o Forex.

3.1 – Forex

O Forex é um mercado completamente OTC e as divisas trocam-se sempre em pares (ex: EUR/USD). Portanto o “valor” de cada moeda no par é relativo ao valor da outra moeda.

Investopedia

Por outras palavras, o Forex diz-nos quanta moeda do país A consegue o país B comprar, e vice-versa.

O Forex é, de longe, o maior mercado em termos de valor total das trocas efectuadas. É composto por uma rede global de centros financeiros que transaccionam 24h por dia, fechando apenas aos fins de semana.

INVESTIR EM FOREX

3.2 – Derivados

Já nos Mercados de Derivados, tal como o nome indica, trocam-se derivados. Isto é, instrumentos financeiros cujo valor é derivado do valor dos títulos a que estão subjacentes.

Através dos derivados, obtemos lucro ou prejuízo graças a flutuações nos preços dos instrumentos financeiros subjacentes, e não a comprar os títulos financeiros para “usá-los” ou para lucrar através dos seus dividendos ou juros.

Estes Mercados podem ser tanto regidos por uma Bolsa como por um mercado OTC, e os tipos mais comuns de derivados são os Forwards, os Futuros, os Swaps e as Opções.

Mercados Financeiros: Derivativos
Tipos de derivativos
  • Forwards são contractos OTC (portanto entre duas partes directamente), em que o pagamento ocorre numa data futura pré-acordada por ambos, a um preço determinado na data do acordo.

Ex: Forward a 6 meses de uma acção da Tesla a €800 significa que daqui a 6 meses, quer o preço duma acção da Tesla esteja a €600 quer esteja a €1000, vai ter que ser comprada a €800 – sendo que se perde €200 caso esteja a €600 e que se ganha €200 caso esteja a €1000 no final dos 6 meses

  • Futuros são instrumentos parecidos aos Forwards, no sentido em que também se pré-determina um valor para pagamento futuro.

No entanto, os Futuros trocam-se em Bolsas. Como tal, são contratos padronizados e que até ao final do mesmo podem ser requeridos ao comprador.

  • Já as Opções têm muito que se lhes diga…

Simplificando, são contractos que dão ao comprador o direito, mas não a imposição/obrigação de comprar (Call Option) ou vender (Put Option) um instrumento financeiro.

São muito usadas para cobrir o risco de certas trocas. Por haver a possibilidade de não exercer o direito de compra, ao assumir-se um contracto de Opção tem de se pagar uma comissão sobre o valor dessa Opção.

4 – Em relação à forma de liquidação (Spot ou A prazo)

Sobre esta última divisória já não há muito a dizer.

Os mercados cuja liquidação dos instrumentos financeiros ocorre instantaneamente são intitulados de spot markets.

Contrariamente, os mercados a prazo são mercados em que se acordam trocas de instrumentos financeiros com base no seu preço futuro como acontece com futuros ou forwards.

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Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Licenciado em Finanças Empresariais pelo ISCAL, exerce actualmente o cargo de Assistente de Auditoria na Moore Stephens Portugal

Citação:
"A humanidade evoluiu através da transferência constante entre os seus constituintes daquilo que foram aprendendo e assimilando. É um prazer contínuo ter a oportunidade de poder dar a minha contribuição."

Sobre o Autor:
Fundador - Jornal da Moeda

Alumni das Universidades Católica Porto e FEP. Com experiência nas indústrias de mercados financeiros, criptomoedas e marketing digital.

Fundador do Jornal da Moeda.

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