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O que é a Bitcoin: a criptomoeda do futuro?

Se ainda és um novato no mundo das criptomoedas, começa por consultar o artigo “Evolução da moeda: das trocas diretas às criptomoedas“. Aí vais poder perceber a razão da sua existência, algo necessário antes da pergunta “o que são?”.

Introdução à Bitcoin

A Bitcoin foi a primeira criptomoeda a conseguir implementar-se e a obter uma aceitação quase generalizada.

Existe um limite máximo de 21 000 000 de Bitcoins em circulação, sendo que atualmente ainda só foram emitidas 18 000 000.

“A Bitcoin é o primeiro sistema que permite inovação sem necessitar de autorização de intermediários, com alta resistência a censura, coerção e manipulação geopolítica. É uma prova matemática e traz isso para o sistema financeiro.”

António Vilaça Pacheco

Com base nos dados disponibilizados pelo coinmarketcap.com, a Bitcoin é a moeda virtual mais valiosa no mercado. A 1 de dezembro de 2019, o valor de mercado total de todas as criptomoedas era, aproximadamente, 19 mil milhões de dólares ($US). Cerca de 66.3% deste valor estava subjacente à Bitcoin, que possuía, à data, um valor de mercado total de $13 mil milhões.

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O que é a Bitcoin?

“A Bitcoin é um conjunto de conceitos e tecnologias que formam a base do ecossistema do dinheiro digital”.

Andreas Antonopoulos

As Bitcoins podem ser usadas para armazenar ou transmitir valor entre todos aqueles que participam nesta rede de utilizadores. O protocolo desta criptomoeda encontra-se disponível para qualquer pessoa que possua um computador ou um smartphone, desde que se encontrem ligados à internet, tornando o acesso a esta tecnologia bastante fácil.

Os utilizadores de Bitcoin podem transferir e realizar operações de forma semelhante às moedas convencionais, isto é, podem (1) comprar e vender produtos, (2) enviar dinheiro para outras pessoas ou instituições, ou ainda (3) ter acesso ao crédito.

As Bitcoins podem ser adquiridas, vendidas ou trocadas por outras moedas, em locais de câmbio adequados (chamados exchanges).

“O que a internet fez para a comunicação, a Bitcoin fez para o mundo financeiro: um sistema que nos permite fazer transações sem intermediários e autoridades, com distribuição de igualdade, e que proporciona confiança a partir da computação de milhares de nodes.”

António Vilaça Pacheco

Contudo, a Bitcoin é inteiramente virtual, não apresentando nenhum suporte físico. Trata-se de um sistema descentralizado que atua numa lógica puramente peer-to-peer (de indivíduo para indivíduo). Como tal, não existe nenhuma entidade “central” encarregada de controlar ou aprovar as transações efetuadas.

A Bitcoin é a 1ª criptomoeda (bem sucedida!)

A ideia de criar moedas digitais, com aceitação global não era novidade. O desenvolvimento da criptografia trouxe, de forma muito próxima, avanços no campo monetário.

citação: Mao Tse-Tung
Mao Tse-Tung

Antes da Bitcoin, existiram vários projetos que não conseguiram triunfar por diversas razões. Muitas destas iniciativas apresentavam bastante potencial, mas a sua base era coordenada por uma entidade responsável, ou seja, funcionavam de um modo muito similar ao nosso sistema bancário diferindo, apenas, na criação da moeda não palpável.

Sabia-se, então, que os principais problemas inerentes a estes ativos digitais se centravam nas seguintes questões:

  • Como evitar que a moeda seja gasta mais do que uma vez?
  • E como conseguir fazê-lo de uma forma descentralizada?

Muito resumidamente, Satoshi Nakamoto foi o primeiro a conseguir impedir que algo digital fosse copiado ou duplicado. Com o dinheiro físico é fácil obtermos esse controlo: uma nota ou moeda só pode ser usada por uma pessoa de cada vez, sendo que o seu possuidor detém o valor que ela representa.

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No que diz respeito ao dinheiro eletrónico com que estamos familiarizados (cartão bancário, por exemplo) o garante de que a moeda não é alvo de um “gasto duplo” é a entidade financeira por detrás deste sistema, que atua como intermediário validando as transações. A Bitcoin é, portanto, uma revolução digital que veio mudar o mundo. Conseguimos, agora e pela primeira vez, garantir a integridade da moeda sem nenhum intermediário.

Surgem finalmente respostas positivas a estas duas questões simples que são colocadas por qualquer utilizador de uma moeda virtual:

  1. Posso acreditar que o dinheiro é autêntico e não falsificado?
  2. Posso ter a certeza que mais ninguém poderá afirmar que o dinheiro lhe pertence a ele e não a mim?

História da Bitcoin

“Eu acho que resolvi um problema inultrapassável na ciência. Acho que é possível duas pessoas trocarem dinheiro diretamente na internet sem a intervenção de um intermediário. Escrevi um white-paper e implementei informaticamente”

Satoshi Nakamoto

A Bitcoin nasceu em novembro de 2008, após a publicação do artigo “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”.

É importante atender ao contexto social e económico da altura… Neste ano atravessamos uma das maiores crises de que há memória no mundo ocidental, sobretudo nos Estados Unidos da América.

A crise do Subprime ameaçava fazer ruir todo o sistema financeiro. A queda do banco americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, gerou um efeito dominó fazendo cair um banco após outro. Esta falência teve repercussões numa escala mundial, provocando insegurança nos mercados financeiros.

SP500: Crise 2008
Índice das 500 maioes empresas dos EUA (SP500) durante a crise 2008

Desde então, as consequências adquiriram proporções preocupantes, colocando em causa toda a confiança que até então era depositada nas grandes instituições financeiras. Começam a surgir questão sobre o modo como estavam a ser conduzidas as políticas, de que forma estava a ser gerido o nosso dinheiro, e o descontentamento social aumentou de forma generalizada.

Enquanto todo o sistema financeiro colapsava, e a credibilidade das instituições se encontrava fragilizada, aparece a Bitcoin. O seu criador é conhecido pelo nome de Satoshi Nakamoto, mas a sua verdadeira identidade permanece, até hoje, um mistério.

Satoshi publicou, em novembro de 2008, o seu whitepaper, onde clarificou os objetivos e o modo como todo o sistema iria operar.

Surge, assim, uma moeda revolucionária, que não pode ser controlada nem manipulada por nenhum banco ou governo, que não permite que qualquer identidade manipule o seu valor e que não precisa de uma instituição para realizar transações.

Este sistema descentralizado e em constante mutação, baseia-se nos seguintes princípios (inalteráveis):

  • Atuar numa lógica peer-to-peer (P2P), o que torna as transações diretas entre 2 intervenientes (um que paga e outro que recebe). Isto permite eliminar a “terceira parte” deste processo e dispensa o processo de validação
  • Transparência, porque todas as transações ficam armazenadas numa “public ledger”. Uma “public ledger” é uma espécie de registo contabilístico que é público, mas que mantém a identidade dos participantes de forma anónima. Os balanços das cryptowallets associados a cada transação também se mantêm, na mesma medida, ocultos. Em suma, uma “public ledger” é um livro online e virtual que regista todas as transações efetuadas entre os participantes da rede (Blockchain).
  • Privacidade/Anonimato, dado que todas as transferências estão encriptadas. Ao contrário do que acontece no setor bancário em que cada cartão/movimento está associado a um indivíduo e, como tal, o banco consegue ter acesso facilitado aos rendimentos e hábitos de consumo de cada um dos seus clientes. Em oposição, quando adquirimos Bitcoins não temos obrigatoriamente que preencher uma identidade, uma morada, uma profissão, número de contribuinte, cidadão ou passaporte.
  • Descentralização, é o garante de todas as características elencadas e provavelmente o ponto fulcral deste projeto.
  • Democratização do acesso à moeda, uma vez que este ativo se encontra disponível para qualquer pessoa desde que se consiga ligar à internet, fazer download de um ficheiro e decorar uma password. Para obtermos criptomoedas não é necessária nenhuma acreditação nem o aval de uma terceira entidade.

Em janeiro de 2009, Satoshi Nakamoto lançou o prometido software sobre o qual correria a sua moeda. A Bitcoin acabara de nascer e tornou-se um dos principais tópicos de debate e estudo de vários fóruns sobre criptografia e critpomoedas.

Em 2011, Nakamoto retira-se, de forma repentina, de todos os meios de comunicação pelos quais discutia diferentes abordagens da sua moeda.

Bitcoin: Satoshi Nakamoto
Nesta data, terminaram os emails, os fóruns, as perguntas e os debates com Nakamoto.

Nunca mais o mundo soube qualquer novidade sobre ele, apenas sabemos que detém várias carteiras digitais e que possui cerca de 1 milhão de Bitcoins.

Qual a importância da descentralização?

Um dos motivos pelos quais todos os projetos de moedas virtuais antes da Bitcoin falharam foi, precisamente, o facto de possuírem um sistema centralizado, em que uma entidade detinha o poder sobre a moeda virtual e armazenava todos os dados dos seus utilizadores. Esta lógica é bastante semelhante ao sistema bancário atual, apenas diferem, como já foi referido, no facto de os projetos digitais não apresentarem um objeto palpável.

“Eliminar um intermediário é algo que só traz vantagens para qualquer processo de otimização. Principalmente se isso mantiver ou aumentar a segurança.”

Numa troca financeira, apenas precisamos de 2 intervenientes: O que paga e o que recebe.

A existência duma instituição que atue como intermediário, aprovando ou não as transferências, torna o processo forçosamente mais caro e demorado.

Ao eliminarmos o mediador financeiro conseguimos, também, evitar que as instituições tenham acesso aos movimentos bancários que efetuamos, o que nos dá mais privacidade.

No sistema financeiro que atualmente impera na nossa sociedade, os Bancos Centrais detêm o poder de impressão de moeda, aumentando ou reduzindo a quantidade em circulação. Através da política monetária, e jogando com o equilíbrio entre a oferta e a procura de moeda, os governos conseguem manipular o seu valor. Também neste campo, a descentralização da Bitcoin impede que alguém exerça o controlo sobre a sua emissão, sendo impossível manipular o seu valor.

Comprar Bitcoin

Existem diversas formas de comprar Bitcoin. Para comprar Bitcoin através de uma moeda Fiat (€ ou $, por exemplo) teremos sempre de realizar uma compra a outro indivíduo ou recorrer a uma Exchange.

Quando compramos Bitcoin a uma pessoa, podemos fazê-lo de forma presencial ou virtual. De um modo muito simples, este método consiste em encontrar alguém que possui a criptomoeda e deseja vendê-la e, mutuamente, chegarem a um consenso sobre a quantia a pagar em dinheiro. Este processo é tão simples como qualquer outra compra.

Se, por outro lado, preferirmos dirigir-nos a uma Exchange, estaremos a optar por um método similar ao mercado de ações. Uma Exchange é um local onde as pessoas podem comprar ou vender Bitcoin ao preço de mercado.

Cada Exchange apresenta as suas próprias condições que diferem em aspetos como comissões (spreads) da Exchange, privacidade, forma de pagamento, etc…

As exchanges podem ser um bom conversor de moeda Fiat em Bitcoin, e vice-versa.

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Criptowallet, public and private keys, “12 word phrase

É importante distinguirmos bem estes conceitos para sermos capazes de fazer boas escolhas de um modo consciente e informado. Ao comprarmos criptomoedas, podemos armazená-las na nossa crytpowallet pessoal ou podemos mantê-las na carteira da Exchange.

A criptowallet (ou cripto-carteira em português) é o local onde podemos guardar as criptomoedas que possuímos. Geralmente, são aplicações ou sites nos quais se consegue consultar o saldo, fazer operações básicas como receber e enviar moeda, verificar a valorização do ativo, etc…

As “carteiras” podem estar personalizadas e adaptadas aos seus utilizadores, mas não devemos esquecer que este é um mercado muito recente e que está em permanente evolução. Todos os dias aparecem novas ofertas com funcionalidades cada vez mais desenvolvidas. As wallets são, no fundo, programas de software.

Bitcoin: Private_public key

No caso da Bitcoin, a cada criptomoeda está associada uma chave privada (private key) e uma chave pública (public key).

Quem possui a chave privada tem automaticamente acesso a todas as unidades armazenadas na carteira correspondente. Ela pode ser copiada ou memorizada, mas caso o proprietário a perca ou esqueça, perde o acesso a todas as suas moedas.

Pela garantia de privacidade e anonimato, não há outro meio de reaver o código!

Para além da chave privada, as carteiras de Bitcoin possuem também uma chave pública (public key). Este é um dos fatores que nos garante confidencialidade quando realizamos transferências.

As transações registadas na Blockchain apenas evidenciam o código correspondente à chave pública. Quando transferirmos moeda para alguém, ou recebemos dinheiro de uma transferência, o endereço que utilizamos é esta chave. Este é o meio pelo qual se pode perceber o paradeiro de uma dada carteira, mas não temos forma de descobrir quem o seu proprietário ou qual a chave privada correspondente.

Para ser mais fácil de entendermos estes conceitos, podemos pensar que a nossa chave pública é o nosso endereço eletrónico que usamos para trocar emails. Enquanto que a chave privada é a password que nos dá acesso à conta.

O mais importante a reter é:
Quem tem acesso à chave privada pode fazer o que quiser com as moedas. Se temos a chave, temos as Bitcoins. Se não temos a chave, não temos as Bitcoins.

Note que tanto os exchanges como as wallets são empresas privadas que nos estão a prestar um serviço/produto. Devemos ter em conta, quando analisamos as suas características e fazemos uma escolha, se nos é dada ou não a possibilidade de extrair e guardar a chave privada. Se não tivermos essa opção, é o Exchange que as guarda, ou seja, nós não somos os verdadeiros proprietários da moeda. O mesmo acontece com as wallets.

“Se não tem a sua chave privada, as suas criptomoedas são tão suas quanto o dinheiro que está no banco.”

António Vilaça Pacheco

Um dos pontos essenciais a ter em conta é saber se a carteira nos permite extrair a chave privada ou não. Cada chave-privada diz respeito à carteira de uma criptomoeda. Contudo, existem wallets que suportam várias criptomoedas em simultâneo.

Como é que isto se organiza?

De forma análoga, podemos dizer que uma carteira com várias critpomoedas é comparável a uma capa com diferentes separadores. Estes separadores contêm, cada um deles, uma única criptomoeda específica. E as sub-carteiras de apenas uma criptomoeda têm a sua chave privada correspondente.

A carteira mais abrangente e que suporta várias criptomoedas possui um código denominado de “12 word phrase” ou “Seed Phrase”, que em português se pode traduzir por “frase de 12 palavras”. Este endereço é o que nos permite carregar a totalidade da nossa carteira (com todas as sub-carteiras) em qualquer outra wallet que aceite a 12 word phrase backup. Portanto, esta frase de 12 palavras é tanto ou mais valiosa que as chaves privadas.

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Sobre o Autor:
Produtora de Conteúdos - Jornal da Moeda

Começou o seu percurso como atleta de alta competição. Em 2015 foi eleita vereadora no projeto "Jovem Autarca" de Santa Maria da Feira e desde então que se mantém presente nas iniciativas municipais.

Atualmente exerce como Auditora Interna no Banco BAI.

Sobre o Autor:
Fundador - Jornal da Moeda

Alumni das Universidades Católica Porto e FEP. Com experiência nas indústrias de mercados financeiros, criptomoedas e marketing digital.

Fundador do Jornal da Moeda.