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O que é Ethereum: Como Funciona e Evolução do Preço

O que é Ethereum?

A Ethereum é o segundo projeto mais popular no universo das criptomoedas, depois da Bitcoin. E, talvez por isso se posicione em segundo lugar no ranking do coinmarketcap.

Mas é o seu potencial enquanto plataforma Blockchain que a torna tão interessante tanto do ponto de vista financeiro quanto tecnológico.

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Posto de uma forma muito simplista, trata-se de uma plataforma open source descentralizada assente em tecnologia Blockchain, que permite a execução dos chamados smartcontracts, propondo utopicamente descentralizar a própria internet.

Sendo um projeto com uma história relativamente recente, apresenta já um percurso rico em acontecimentos e muito promissor. Desde a peculiaridade do seu fundador, Vitalik Buterin e as suas propostas inovadoras, passando pela DAO, o seu hack e o consequente hardfork, a popularização das ICO, até aos desafios decorrentes da escalabilidade da própria blockchain.

Vitalik Buterin: o fundador

vital | O que é Ethereum: Como Funciona e Evolução do Preço
Fonte: Cointimes

A rede Bitcoin, tornada pública em 2009, fez crescer à sua volta uma comunidade motivada em usar e explorar esta nova tecnologia. E um dos elementos mais influentes dessa comunidade foi o jovem programador russo-canadiano Vitalik Buterin, na altura com apenas 17 anos de idade. Como resultado do seu interesse pelo novo ecossistema tecnológico que se formava, Buterin tornou-se co-fundador e um dos principais escritores da revista Bitcoin Magazine, um dos meios de informação pioneiros na área.

Contudo, o jovem Vitalik foi-se apercebendo que alguns projetos em Blockchain não podiam ser construídos sobre a rede da Bitcoin. Os programadores viam-se obrigados a criar uma blockchain de raiz, ainda que inspirada na tecnologia existente. Assim, a Bitcoin constituía uma excelente rede global e descentralizada de transferência de valor. Ainda que não permitisse a execução de aplicações mais complexas.

Assim sendo, Vitalik Buterin começa a conceptualizar a ideia de uma blockchain que servisse como plataforma descentralizada e open source para o lançamento e execução de novas aplicações. Uma forma de sistema operativo global. E é em novembro de 2013 que é lançado o whitepaper da Ethereum.

Com esta proposta, Vitalik consegue o financiamento de 100 mil dólares por parte do investidor Peter Thiel e, durante dois anos, com a auxílio de outros colaboradores, o projecto desta nova blockchain vai sendo desenvolvido. Entretanto, as primeiras implementações são tornadas públicas no primeiro trimestre de 2014, para serem testadas pela comunidade.

Bitcoin e Ethereum: quais as semelhanças e diferenças?

As comparações entre Ethereum e Bitcoin são imediatas e aliciantes, até porque é a Bitcoin que, de alguma forma, acaba por inspirar todos os projetos Blockchain que se lhe seguem. No entanto, não era o propósito de Vitalik Buterin competir com o projeto da Bitcoin. A sua proposta visa expandir as potencialidades e aplicabilidade da tecnologia com um novo conceito de Blockchain que propõe a descentralização de tudo o que é passível de ser programado.

BitcoinEthereum
TokenBitcoinEther
TickerBTCETH
FinalidadeMoeda digitalSmart Contracts
Protocolo
de consenso
Proof-of-workProof-of-work
(futuramente
proof-of-stake)
Limite máximo
de unidades
21 milhõesAtualmente inexistente
Transações
por segundo
~4,6~15
Comparação entre Ethereum e Bitcoin

Smart Contracts

A Ethereum permite transferências de valor ao nível global, descentralizadas e incensuráveis, tal como a Bitcoin. Contudo, permite sobretudo a execução de smart contracts – contratos “inteligentes” – préviamente programados, que se executam quando as condições previamente definidas se verificam verdadeiras. Constitui uma espécie de dinheiro programável.

Smart Contracts | O que é Ethereum: Como Funciona e Evolução do Preço

Isto expande o leque das aplicabilidades da Ethereum para além do seu uso enquanto moeda. Assim, e de forma muito simples, enquanto que a Bitcoin permite, por exemplo, a transação do indivíduo “A” para o “B”, a Ethereum permite programar condições em que essa transação só terá lugar se se verificar que ambos, A e B, cumprem as exigências acordadas no smart contract.

Em última análise, isto transforma a Ethereum num tipo de sistema operativo global e descentralizado, capaz de correr aplicações de natureza financeira, mas não só. Portanto, os casos de uso são imensos, aplicáveis a tudo o que é passível de ser traduzido para código.

Para que serve a Ethereum?

A Ethereum apresenta diversas aplicabilidades. Desde a segurança dos dados até às Finanças, este projeto consegue apresentar um impacto estrutural.

Vejamos alguns exemplos:

  • DeFi ou Decentralized Finance Permite a criação de aplicações financeiras de crédito e investimento, descentralizadas. Aos depositantes é paga uma determinada taxa pelo depósito dos seus fundos em criptomoedas. E aos contraentes do crédito, permite-lhes obter liquidez a partir dos criptoativos que colateralizam o seu empréstimo sem a necessidade de os venderem.
  • Escrow ou garantias providas por terceiros – Em operações financeiras que habitualmente exigem a intervenção de um mediador, este pode ser substituído por um smart contract, desde que bem delineado. Assim, dispensando a confiança entre os intervenientes, o smart contract garante que as obrigações de ambos são cumpridas antes de realizar a transação, reduzindo o custo com operações de mediação.
  • Crowdfunding – Popularizado sob a forma de ICO, mas com múltiplas possibilidades, permite o financiamento de projetos capazes de, pelas suas propostas, cativar investidores para um novo negócio.
  • Mercados de previsão – Com particular foco no mercado de jogo e apostas, permite a participação da comunidade com a garantia de que o processo ocorre de forma justa e auditável. E tem a vantagem de reduzir os custos dado que corre sobre uma rede já existente, com reduzidas taxas de transação e relativa velocidade.
  • Identidade – Possibilita a criação de um perfil de identidade digital ao qual apenas o detentor dessa identidade tem acesso. Portanto, não só previne as fraudes com identidade, como permite o controlo dos dados que são partilhados em cada operação de verificação.

Desenvolvimento e histórico de preços

Desde a sua conceptualização em 2013, o projeto Ethereum atingiu uma série de metas importantes, umas planeadas, como a ICO e o roadmap de desenvolvimento, e outras como resultado de erros não antecipados que desafiaram o consenso entre a própria comunidade.

O plano do projeto previa 4 fases de testes e atualizações: Frontier, Homestead, Metropolis e Serenity. Por sua vez, a valorização da Ethereum foi sendo influenciada também por outros acontecimentos…

  • 2014: ICO – é realizada a initial coin offering do projeto. O pagamento foi realizado em Bitcoin e o valor da unidade de Ether rondava os 30 cêntimos de dólar. Foram arrecadados 18 milhões de dólares no total.
  • 2015: “Olympic” – lançamento da testnet. Foi a fase que antecedeu o lançamento oficial da rede. O objectivo era que os interessados procurassem testar e sobrecarregar a rede com o máximo de transações e nodes. Foram criadas categorias de prémios num total de 25000 ether.
  • 30 de julho de 2015: “Frontier – lançamento da mainet, a primeira fase de desenvolvimento e operação da mainnet do Ethereum. Participar da rede exigia ainda um grande conhecimento técnico que não estava acessível a todos. Os programadores consideravam-na ainda numa versão beta.

Entrada nos Mercados

  • 7 de Agosto de 2015: Exchanges – O Ether é listado pela primeira vez em plataformas de negociação, à data é negociado a cerca de 2 dólares, chegando a ultrapassar os 3 dólares. Contudo termina o ano a 90 cêntimos.
A valorização do Ethereum entre 2015 e 2016
Fonte: SFOX
  • 14 de março de 2016: “Homestead” – lançamento da primeira versão “estável”, mas ainda beta, que permitia já o desenvolvimento de aplicações, ainda que acessível apenas para aqueles com conhecimentos mais avançados. Com o lançamento desta atualização o valor do Ether atinge os 15 dólares. Contudo Corrige posteriormente para cerca de 7,30 dólares no dia 28 de Abril desse ano.
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A DAO: o hacking e o Hard-fork

  • 30 de Abril de 2016: Criação da DAO – A DAO ou Decentralized Autonomous Organization, foi um projeto que se financiou através de uma venda de tokens na Blockchain da Ethereum. Este projeto teve uma escala gigante que levou o valor do Ether a ascender acima dos 20 dólares.

A DAO estava baseada na rede de Ethereum e por isso era descentralizada. E não estava sediada em qualquer estado, o que levantava questões ao nível da sua regulação. As decisões eram tomadas através dos votos daqueles que nela participavam. Por tudo isto, desafiava as sociedades de capital de risco tradicionais e servia como um projeto piloto para a demonstração dos usos da rede do Ethereum e das suas potencialidades.

  • Junho de 2016: A DAO é alvo de hacking, através de uma falha de segurança no código dos smart contracts, perdendo um total de 50 milhões de dólares em Ether.
    Este acontecimento veio dividir a comunidade sobre o rumo a seguir…
  • Julho de 2016: Hardfork do Ethereum Classic com vista à recuperação dos fundos perdidos com o hack. A Ethereum Foundation decide voltar atrás na rede, recuperando os fundos “perdidos”. E, desta decisão resultam uma nova blockchain que continua a chamar-se Ethereum. Contudo, alguns utilizadores optam por se manter na rede em que o hack não foi apagado intitulando-a de Ethereum Classic.
A DAO e o hardfork do Ethereum
Fonte: SFOX

Quanto ao valor do Ether, agora numa nova rede atualizada, é fortemente atingido pelos acontecimentos controversos, caindo mais de 50% do seu máximo histórico até à data e terminando o ano de 2016 a cerca de 8 dólares.

A proliferação das ICO’s

  • Março de 2017: Novo máximo histórico de preço. Após os desafios que a comunidade se viu obrigada a enfrentar em 2016, a comunidade continua a crescer e em menos de um ano o Ether atinge os 21,45 dólares, ultrapassando o pico do valor atingido com o DAO. É neste mesmo ano que as ICO’s se popularizam, levando a uma crescente procura pelo Ether.
  • 16 de outubro de 2017: “Metropolis Byzantium – Esta nova atualização da rede, prevista no roadmap, trouxe melhorias ao nível da segurança, reduziu a recompensa de mineração de 5 para 3 Ether por bloco, e trouxe maior acessibilidade à criação de DApp’s. Assim, estas alterações, aliadas ao crescimento da comunidade no seu conjunto ajudaram a impulsionar o valor do Ether que cresceu exponencialmente, atingindo um máximo de 1385 dólares no dia 13 de Janeiro de 2018.
A valorização do Ethereum em 2017, o ano das ICO
Fonte: SFOX
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A correção no mercado das criptomoedas

Após a correção do valor máximo atingido em janeiro de 2018, seguiu-se uma correção no valor geral de quase todas as criptomoedas, ano que ficou conhecido como “crypto winter“. Esta desvalorização levou o Ether a atingir um valor mínimo de 83,39 dólares, a 14 de Dezembro de 2018.

| O que é Ethereum: Como Funciona e Evolução do Preço
Fonte: SFOX
  • 28 de Fevereiro de 2019: “Metropolis Constantinople” e “St. Petersburg” – Neste ano são executadas novas atualizações à blockchain, melhorando a segurança, e tornando a execução de DApps financeiramente menos dispendiosa para os programadores. Também ocorre a redução na recompensa de mineração de 3 para 2 Ether por bloco. Talvez devido a estas implementações, a valorização do Ethereum recupera neste ano, atingindo o pico nos 333 dólares. Terminando o mesmo ano nos 130 dólares.

Ethereum 2.0 e o proof of stake

A última fase de desenvolvimento, sob o nome de código “Serenity“, estava prevista para janeiro de 2020. Contudo, a equipa de desenvolvimento viu-se obrigada a adiar a transição para uma data ainda por definir. Ainda assim, espera-se que a atualização mais esperada da Ethereum ocorra até 2021.

Esta nova fase procura resolver problemas e riscos que se tem feito notar ao longo dos anos, nomeadamente ao nível da segurança, descentralização, escalabilidade e consumo de energia na mineração.

Portanto, o primeiro desafio será motivar os atuais mineradores, que investiram em hardware, a transitarem para proof of stake, reduzindo a recompensa pela verificação de novos blocos sem com isto comprometer a segurança e descentralização da rede.

Para fazer staking será necessário um mínimo de 32 Ether e um computador “doméstico” dedicado a esse fim. Assim, esse montante deverá ser enviado para um smart contract específico onde ficará trancado. O staker será recompensado pela validação de novos blocos, não pela emissão de novo Ether, mas com parte das taxas de transação dentro da rede, reduzindo assim a inflação da própria moeda.

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Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Estudante de Engenharia Informática no Instituto Politécnico de Viana do Castelo e licenciado em Antropologia pela Universidade de Coimbra em 2012, de onde herdou a curiosidade pela escrita e o hábito de desconstruir crenças e práticas culturais e sociais.
Foi introduzido ao universo das criptomoedas em 2017 ao qual ficou imediatamente rendido. Foi ainda tradutor no projeto DaVinci/Utopian na plataforma Steem até 2019.

Citação:
"A desmistificação das criptomoedas é acima de tudo um meio para a educação financeira, questionando as próprias convenções sobre a natureza do dinheiro."

Sobre o Autor:
Fundador - Jornal da Moeda

Alumni das Universidades Católica Porto e FEP. Com experiência nas indústrias de mercados financeiros, criptomoedas e marketing digital.

Fundador do Jornal da Moeda.

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