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Resultados Por Ação (ou EPS): Explicação, Fórmulas e Exemplos Práticos

Resultados por Ação Simples

Se alguma vez desfolhaste um livro de finanças e/ou contabilidade é natural que já te tenhas deparado com o termo “Lucros/Resultados por ação” (ou Earnings per Share, em inglês). Os EPS são dos rácios mais usados na interpretação da performance das empresas durante um período (trimestral e/ou anual).

De acordo com a IAS 33, as empresas cotadas em bolsa são obrigadas a reportar este indicador nos financial reports. Porém, várias entidades têm mencionado os EPS nos próprios comunicados à imprensa.

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Se procuras resposta sobre como calcular e interpretar os Lucros por ação (simples, diluidos, ou de operações continuadas)… Ou procuras perceber casos práticos…

Estás no sítio certo!

No fundo, este indicador representa a rentabilidade de uma empresa durante um período (trimestral/anual) e a fórmula mais simples para calculá-lo é a seguinte:

resultados por ação simples formula:
RPA=(Res. Liquido/Nº Ações em circulação)

Mas este rácio pode ser mais preciso! Porquê?

  1. A empresa pode ter emitido ações preferenciais. E os titulares destas ações têm prioridade sobre os acionistas comuns na distribuição dos resultados.
  2. Pode haver variação do número de ações em circulação durante o período. Já pensaste que a empresa pode ter emitido ações durante o ano? Ou comprado ações próprias?

Caso Prático:
A entidade “Exemplos Perfeitos, SA” no final do ano X obteve um Resultado Líquido de €5 milhões e paga em dividendos de ações preferenciais €300 mil. Neste período a “Exemplos Perfeitos, SA” emitiu 100 mil ações. No início do ano, tinha 150 mil ações em circulação.

Qual o RPA, no ano X, da empresa “Exemplos Perfeitos, SA”?

Solução:
Passo 1:
Média de ações em circulação = 200.000 = (150.000+250.000) / 2

Passo 2:
Resultado Líquido (descontado de ações preferenciais) = €4.700.000 = €5.000.000 – €300.000

Passo 3:
RPA = €23,5 = €4.700.000 / 200.000

Aperfeiçoando a fórmula…

resultados por ação simples descontados de ações preferenciais formula:
RPA=(Res. Liquido - Dividendos Preferenciais)/Nº Médio de Ações

Em poucas palavras…

Os RPA representam o montante de receitas disponível para os detentores de ações comuns, por cada ação. Ou seja, um EPS de 2,35€, para um investidor com 100 ações, representa um ganho de 235€.

Resultados Por Ação Diluídos

“Escavando” um pouco mais…

Uma empresa pode ter uma estrutura de capitais ainda mais complexa. Isto é, pode ter emitido outros títulos com o direito adjacente de serem convertidos em ações – como é o caso dos títulos convertíveis.

Exemplos:

  1. Garantias convertíveis;
  2. Opções convertíveis;
  3. Obrigações convertíveis;

É aí que entram o EPS Diluídos.

Os EPS Diluídos assumem que todos os investidores que possuem títulos convertíveis irão convertê-los em ações. De certa forma, podemos dizer que é um rácio mais conservador porque assume o pior cenário possível. Vejamos a fórmula:

resultados por ação diluidos formula:
RPA=(Res. Liquido - Dividendos Preferenciais) / (Nº médio de ações + Titulos Convertíveis)

Resultados por Ação de Operações Continuadas

No decorrer da sua atividade, uma empresa exerce dois tipos de operações:

  • Continuadas
  • Descontinuadas

De acordo com a IFRS 5, “operações descontinuadas” são componentes da actividade da empresa em que se verifica um dos seguintes critérios:
1. Estão classificados como detidos para venda ou foram já descartados;
2. Representam uma linha de negócios (ou área geográfica) separada e de grande expressão;

Ora, imaginemos que uma entidade possui 100 lojas, mas que por algum motivo pretende encerrar 20 delas a meio de um trimestre. Esta entidade está obrigada a diferenciar entre os RPA totais e os RPA de Operações Continuadas.

A fórmula dos RPA de operações continuadas é a seguinte:

resultados por ação de operações continuadas formula:
RPA = (Res. Liquido das oper. contin. / Nº Médio de Ações em Circulação)

Caso prático:
Supondo que a empresa “Exemplos Perfeitos”, no ano Y, obteve os seguintes resultados:
– RL de Operações Continuadas: €5.000.000
– RL de Operações Descontinuadas: – €3.000.000
– Resultado Líquido Total: €2.000.000
– Nº Médio de Ações Ordinárias em Circulação: 200.000

Quais os seguintes valores:
a) RPA operações continuadas?
b) RPA operações descontinuadas?
C) RPA Líquido de operações descontinuadas?


Solução:
a) RPA O.C. = €5.000.000 / 200.000 = 25
b) RPA O.D. = (€3.000.000) / 200.000 = (15)
c) RPA Líquido = €2.000.000 / 200.000 = 10

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Análise: Exemplos Práticos

Para uma melhor compreensão do significado dos Ganhos/Perdas Por Ação das entidades que se decida analisar, e também para obter uma melhor perspetiva. Vejamos duas rivalidades entre empresas do mesmo setor.

Coca-Cola (KO) e PepsiCo (PEP)

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Provavelmente todos concordaríamos que a Coca-Cola tem um branding superior mas isso não é algo que se traduz necessariamente nos resultados.

EntidadeAnoReceitas*Resultado Líquido*RPA DiluídoNº Médio de Ações em Circulação
Pepsi201967.1617.3145,201.407 M
Coca-cola201937.2668.9202,074.314 M
Pepsi201864.66112.5158,781.425 M
Coca-cola201831.8566.4341,584.299 M
Pepsi201763.5254.8573,381.438 M
Coca-cola201735.4101.2480,294.324 M
*Números em milhões de dólares (dados Zacks)

A tabela acima permite-nos retirar algumas conclusões (para o período de 2017 a 2019):

  1. As Receitas da Pepsi superaram as da Coca-Cola. Isto acontece graças à aposta na diversificação por parte da PepsiCo noutros mercados (ex: snacks e bebidas desportivas).
  2. Tanto os EPS da Coca-cola como da Pepsi mostraram uma tendência crescente. Sebem que os LPA da Pepsi tiverem um comportamento muito mais volátil no período em análise.
  3. Ambas as empresas fizerem ligeiros movimentos (de compra, emissão, venda, ou stock-split) de ações próprias no mercado. Mantendo-se, na generalidade, estáveis durante o periodo.

Nota: As razões que causam um aumento nos RPA/EPS duma empresa são: (1) o aumento do Resultado Líquido; (2) a diminuição do número de ações em circulação; ou (3) uma combinação de ambos.

Logo, fica subentendido que uma empresa tem o poder de influenciar o valor final deste rácio através da sua atuação na compra/venda ou emissão de ações próprias no mercado.

Apple (AAPL) e Samsung (SSNLF)

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A Apple e a Samsung são dois dos principais players na venda de smartphones. No entanto, ambas as marcas estão bem diversificadas noutros mercados: a Samsung produzindo micro-ondas, frigoríficos (etc) e a Apple providenciando serviços como a Apple Care e Apple Music.

Vejamos como se configuraram os seus Resultados e RPA:

EntidadeAnoReceitas*Resultado Líquido*RPA DiluídoNº Médio de Ações em Circulação
Apple2019260.17455.25611,894.648 M
Samsung2019197.69118.4522,726.783 M
Apple2018265.59559.53111,915.000 M
Samsung 2018221.56839.8935,875.970 M
Apple2017229.23448.3519,215.251 M
Samsung2017211.81236.5535,306.893 M
*Números em milhões de dólares (dados Zacks)

Com a análise da tabela acima podemos concluir que (para o período de 2017 a 2019):

  1. O Resultado Líquido da Apple cresceu substancialmente. Já o da Samsung, apresentou um ganho entre 2017 e 2018, mas caiu (para valores inferiores aos de 2017) no ano de 2019.
  2. As variação nos Resultados Líquidos de ambas as empresas estão diretamente relacionadas com as variações das Receitas nos anos respetivos.
  3. Os RPA Diluídos da Apple cresceram perto de 30% entre 2017 e 2019, enquanto o mesmo rácio, para a Pepsi, apresentou uma volatilidade semelhante ao respetivo Resultado Líquido da empresa (cresce de 2017 a 2018 mas cai brutalmente no ano de 2019).
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Limitações dos RPA

Os Lucros por Ação são um indicador importante e devem fazer parte da análise de qualquer investidor. Porém, devem ser complementados com outros rácios e análises para se obter uma melhor perspectiva da empresa em foco.

Não traduzem a eficiência das Empresas

Se duas entidades reportam o mesmo Resultado Líquido mas uma delas necessitou de menos recursos para arrecadar o mesmo valor, então a eficiência na aplicação dos recursos será naturalmente superior para a que teve menos despesa.

Mais, uma empresa pode apresentar um crescimento exponencial no volume de Receitas extraordinário e manter um RPA baixo se: (1) investir fortmente os seus ganhos (em RH, infra-estruturas, ou R&D, etc), ou (2) tiver emitido ações (ou feito um stock-split) durante o período, por exemplo.

Podem ser afetados por ganhos/perdas extraordinárias

Imaginemos que uma entidade tem 5 lojas, e o terreno de uma delas – por motivos aleatórios e alheios à atividade da empresa – valoriza imenso de um ano para o outro e a entidade decide capitalizar sobre essa valorização vendendo assim a loja e o terreno.

Ora, não só a venda de terrenos não faz parte da atividade da empresa, como também a repetição de um acontecimento destes é extremamente improvável. Daí que seja importante a análise do RPA de operações continuadas.

São suscetiveis à variação do número ações em circulação

Existem diversos motivos pelos quais o número de ações em circulação pode variar.

Do lado dos investidores…

Estes podem exercer a conversão dos seus títulos convertíveis. Tal, iria aumentar o número de ações em circulação e, consequentemente, contribuir para uma diminuição do RPA.

Do lado da empresa…

Esta pode comprar ações próprias em mercado aberto o que levaria a uma diminuição do número de ações em circulação e, consequentemente, contribuiria para um aumento do RPA.

Se a empresa emitir novas ações ou efetuar um stock-split (converter cada ação já existente em 2 ou mais), a empresa estaria disposta a contribuir para uma diminuição dos RPA, em prol de trazer mais liquidez para o mercado.

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Sobre o Autor:
Produtor de Conteúdos - Jornal da Moeda

Licenciado em Finanças Empresariais pelo ISCAL, exerce actualmente o cargo de Assistente de Auditoria na Moore Stephens Portugal

Citação:
"A humanidade evoluiu através da transferência constante entre os seus constituintes daquilo que foram aprendendo e assimilando. É um prazer contínuo ter a oportunidade de poder dar a minha contribuição."

Sobre o Autor:
Fundador - Jornal da Moeda

Alumni das Universidades Católica Porto e FEP. Com experiência nas indústrias de mercados financeiros, criptomoedas e marketing digital.

Fundador do Jornal da Moeda.

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