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Reunião Costa e Sánchez: Critério único PEPP, Cimeira Ibérica e Substituição de Centeno

O primeiro-ministro português e o chefe do Governo de Espanha reuniram-se no Palácio de São Bento para acertar uma estratégia conjunta para o Plano de Emergência Europeu.

“É essencial que a Europa não perca mais tempo e seja capaz de dar uma resposta conjunta e robusta à situação causada pela covid-19”, começou por afirmar Costa.

Reunião Costa e Sánchez PEPP
Reunião Costa e Sánchez PEPP

O primeiro-ministro português considerou que a proposta que a Comissão Europeia apresentou “é inteligente, justa e equilibrada” e espera que “possa ser a base para uma aprovação o mais rapidamente possível”.

E salientou que a resposta é inteligente “porque não propõe nem um cheque em branco, nem uma nova troika”. “Propõe que o montante de financiamento sirva para investimento e apoiar as reformas necessárias.”

Costa sobre o Plano de Emergência Pós-Pandemia

Costa também acrescentou considerações sobre a urgência da realização deste Plano de Emergência Europeu:

“É muito importante que nos organizemos de forma a apoiar a proposta da comissão e trabalhar junto com os nossos parceiros para que seja possível ter, em Julho, aprovado um programa de recuperação que responda com urgência à necessidade da recuperação económica e protecção do emprego e que nos permita o mais rapidamente possível ter estas ferramentas essenciais”.

Primeiro-ministro, António Costa

Depois do valor discutido no passado mês de Marco pelo Banco Central Europeu de 600 biliões de euros, Costa considerou que a nova proposta da Comissão de 750 mil milhões de euros lhe parece mais adequada no Plano de Emergência Europeu para, juntamente com os recursos que o Eurogrupo mobilizou e a capacidade de intervenção do Banco Central Europeu, “dar uma resposta adequada à crise”.

António Costa returque a importância desta reunião afirmando que “é essencial que a Europa não perca mais tempo e seja capaz de dar uma resposta conjunta e robusta à situação causada pela covid-19”.

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Covid-19: Casos confirmados, recuperados e óbitos.

Pedro Sánchez sobre o assunto

Já Pedro Sánchez subscreveu “todas as palavras” do primeiro-ministro português e acentuou também ele a necessidade da abordagem do Plano de Emergência Europeu já pensado na próxima reunião das instâncias europeias.

“O mês de Julho é o mês para se chegar a um acordo europeu e só a unidade pode salvar muitas empresas, proteger o emprego e reforçar o projecto europeu. (…) Sei que vai ser difícil, mas temos de chegar a esse acordo para o Plano de Emergência Europeu”

Pedro Sánchez

Costa e Sánchez afirmaram ainda que este não é o momento para traçar discordância na reunião da Comissão Europeia, mas sim para “através da discordância, traçar concordância para o Plano de Emergência Europeu”.

Costa e Sánchez defendem critério único

Novamente questionado sobre as restrições que alguns países estão a colocar à entrada de cidadãos portugueses, António Costa afirmou que este tipo de decisões “não pode ter como base um único critério”.

Ainda refere o exemplo estrangeiro do RU afirmando que “Há países que tiveram mais contágios numa fase inicial, há países que têm mais contágios numa fase seguinte. Há países que fizeram mais testes ou menos testes. A comparação deve integrar o conjunto destes critérios e não um único critério. Se fosse só por um critério, a posição que o Reino Unido tomou não faria qualquer sentido, porque é manifesto que atendendo ao nível de contágios no Reino Unido e nas regiões de Portugal, não há nenhum motivo para que as pessoas se sintam mais inseguras em Portugal”.

“Devemos seguir a orientação da Comissão Europeia que é, por exemplo, aquilo que Portugal e Espanha estão a seguir, ou seja, haver uma abertura de fronteiras entre países que alcançaram um nível semelhante de contágio”, acrescentou, apontando o caso ibérico.

Covid-19 report
Mapa cromático Covid-19

Cimeira Ibérica

Os dois chefes de Governo anunciaram ainda a realização uma Cimeira Ibérica entre final de Setembro e princípio de Outubro, na cidade da Guarda. 

Costa traça o plano calendarizado afirmando : “Temos adiado por motivos vários essa cimeira luso-espanhola, mas, seguramente, entre o final de Setembro e o início de Outubro, vamos poder realizá-la na Guarda. Vai ter como tema central um projecto que temos vindo a trabalhar em conjunto nos últimos anos, que é a definição de uma estratégia comum de desenvolvimento transfronteiriço”

Apoio Ibérico na substituição de Centeno no Eurogrupo

O primeiro-ministro, António Costa, revelou que a candidatura da ministra espanhola Nadia Calviño à presidência do Eurogrupo contava com o apoio de Portugal, cargo previamente ocupado por Mário Centeno em fim de mandato.

Nadia Calviño

Tal como escreve o semanário Expresso, o líder do Executivo português revelou o apoio de Portugal depois de reunir com o seu homólogo espanhol, Pedro Sanchéz.

António Costa apoiou Nadia Calviño não só por laços e relações políticas, mas também pelas suas capacidades e porque ambos defendem uma estratégia comum de desenvolvimento económico e financeiro da zona euro.

O Eurogrupo, anteriormente presidido por Mário Centeno, reuniu na anterior quinta-feira, onde ocorreu a eleição para a nova presidência.

O anúncio em 9 de junho que Mário Centeno abandonava o cargo de ministro das Finanças também o afastou da possibilidade de continuar como presidente do Eurogrupo.

Mário Centeno foi o terceiro presidente do Eurogrupo, depois do luxemburguês Jean-Claude Juncker (2005-2013) e do holandês Jeroen Dijsselbloem (2013-2018).

Nadia Calviño também esteve na corrida para ser escolhida como a candidata europeia à presidência do Fundo Monetário Internacional (FMI), juntamente com holandês Jeroen Dijsselbloem (ex-presidente do Eurogrupo), a búlgara Kristalina Georgieva (diretora executiva no Banco Mundial) e Olli Rehn (governador do Banco da Finlândia).

Calviño abandonou a corrida, tendo sido nomeada para o cargo Kristalina Georgieva, dando o mesmo destino na eleição para a Presidência do Eurogrupo!

Paschal Donohoe

Paschal Donohoe Eurogrupo

Na segunda-feira, 13 de julho, começou oficialmente o mandato do irlandês Paschal Donohoe, que faz parte do Eurogrupo desde 2017 e que foi recentemente reconduzido como ministro das Finanças da Irlanda após o acordo de coligação para a formação do Governo.

Salvo eventos excecionais, Donohoe será o quarto presidente do Eurogrupo e ficará no cargo até ao início de 2023, tendo como prioridade a resposta à crise pandémica e a recuperação da economia europeia.

Espero “poder trabalhar com todos os colegas no Eurogrupo durante os próximos anos para garantir uma recuperação justa e inclusiva para todos, enquanto enfrentamos os desafios que se nos deparam com determinação“.

Paschal Donohoe

Ainda que a pandemia vá ser um dos principais problemas do seu mandato, Donohoe também terá de lidar com outras questões que já estão em cima da mesa a serem negociadas, como é o caso da tributação das gigantes tecnológicas, as quais têm sede europeia maioritariamente na Irlanda.

Recentemente, em entrevista ao Financial Times, o ministro irlandês mostrou-se contra a imposição de um imposto ou taxa de forma unilateral por parte da UE, como resposta à falta de acordo na discussão dentro da OCDE, temendo uma guerra comercial entre os EUA e a UE.

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